Fé e Sexo: Por que o casamento não é a solução para os problemas sexuais?

Vivemos em um mundo onde o mandamento principal é a satisfação, a qualquer custo, dos nossos desejos. Importa é ser feliz, custe o que custar. Um dos caminhos vendidos por esta sociedade para a “felicidade” é a satisfação do desejo sexual. Importa é dar vazão as nossas paixões de todas as formas possíveis sem nos importarmos com os nossos próprios sentimentos, os sentimentos do próximo e qualquer valor ético ou moral. Somos assediados e compelidos a um estilo de vida puramente hedonista. E é neste mesmo mundo que temos a Palavra de Deus nos dizendo para seguir o caminho oposto. Para valorizar o casamento, a paternidade/maternidade e a família. Temos a Palavra de Cristo nos dizendo para expressar nossos desejos sexuais apenas dentro do casamento.

E o que pensamos? Pensamos que o casamento é a resolução de todas as nossas questões sexuais? De que nele seremos plenamente satisfeitos sexualmente? Que certo vício ou certo costume sexual vai deixar de existir no casamento? Que o sexo dentro do casamento é a solução para toda nossa incontinência sexual? Certamente pensamos mal.

Vamos imaginar um casal.

João Crente era cristão reformado líder de algum ministério da igreja em que frequentava. Rapaz engajado, comprometido com a obra do Senhor Deus e disposto a ter um relacionamento cristão, ou seja, queria esperar até o casamento para ter relações sexuais. O problema era que João Crente tinha esses ideais na cabeça, porém tinha imensa dificuldade de cumpri-los na realidade. O seu primeiro contato com a ideia de sexo veio através da pornografia e de todo o consumo de toda forma de erotismo que ele podia alcançar. Com a pornografia, João teve seu primeiro contato com uma forma distorcida de sexo, forma que tentou replicar com sua primeira namorada, moça crente e igualmente engajada, na sua primeira relação sexual e em todas as outras posteriores. Passado o tempo, a relação com esta moça não deu certo e ele passou para outra. E depois outra. E outra. E mais uma depois. Todas moças crentes. Mesmo tendo uma variedade de relacionamentos, João crente não estava feliz, porque, em sua cabeça, nenhuma das moças com quem namorava conseguia lhe satisfazer sexualmente. Elas eram muito desengonçadas, tímidas, cheias de pudores, de culpas e remorsos. Então, João Crente teve a brilhante ideia de contratar uma garota de programa e experimentar o sexo vindo de uma profissional. Com esta garota, ele teve uma experiência que nunca teve com uma de suas namoradas. Foi diferente. Foi intenso. Foi sem remorso ou culpa. Foi sem compromisso.

Variando entre trabalhos na igreja, atividades com sua atual namorada, garotas de programa e pornografia, João Crente se encontrou novamente em um abismo de infelicidade, culpa, tristeza e solidão. Profunda solidão. Tocado pelo Espírito Santo de Deus, convencido de seus pecados, João Crente decidiu abandonar a vida de namoradas de estimação, prostitutas e pornografia. Ele decidiu voltar-se a Deus e a encontrar uma namorada séria, com quem iria casar e constituir família. Passado outro tempo, depois de ter terminado com sua namorada, o coração de João foi arrebatado pela chegada de Maria Crente, uma moça recém chegada na sua igreja.

Maria Crente resolveu sair de sua igreja, porque não podia mais conviver consigo mesma. Ela era cristã reformada líder de algum ministério da igreja em que frequentava. Moça piedosa, comprometida com a obra do Senhor Deus e determinada a encontrar um homem de Deus para ter um relacionamento sério, cristão e que rumasse para um casamento. O problema era que Maria Crente tinha esses ideais na cabeça, porém tinha imensa dificuldade de cumpri-los na realidade. Seu primeiro contato com a ideia de sexo veio através de um filme de romance quando ela estava assistindo com suas amigas e de repente surgiu uma cena mais quente entre o casal protagonista que terminou em um choque de corpos, beijos e nudez. Intrigada, ela tentou replicar a experiência com seu namorado de adolescência, porém acabou frustrada. A relação não foi de toda ruim, mas foi estranha. Arrependida e com uma experiência não tão boa, mesmo assim, ela estava determinada a descobrir seu próprio corpo e embarcou em uma verdadeira cruzada para encontrar o prazer em si, enquanto aguardava seu marido crente, como a sua igreja recomendava.

Maria Crente só considerava se relacionar com rapazes crentes, porém um rapaz não crente de sua faculdade se mostrou bastante interessado nela. A princípio, ela não dava corda às suas muitas investidas, indiretas e diretas. No entanto, passado um tempo de muitas palavras doces, de elogios, de cuidado, carinhos e fofuras mil, Maria Crente começou a mudar de opinião e deu uma chance ao rapaz desde que o relacionamento fosse cristão. O rapaz entendeu. Passado mais um pouco de tempo, já não podendo mais resistir, e já passado por muitas trocas de nudes e “toques corporais estratégicos”, ela resolveu fazer sexo com o rapaz. Foi uma. Duas. Três. Só que antes de virar rotina, o rapaz a enxotou. Todo o carinho, todas as palavras doces, todo o cuidado se foram. Maria Crente ficou profundamente decepcionada e se sentiu muito enganada. Passada a tristeza, ela se aprumou e deu de ombros para todo e qualquer propósito anterior. Se relacionou com mulheres, experimentou a pornografia, arrumou um caso com o pastor casado da igreja, transava regularmente com um ou dois da faculdade e mantinha um namoro de estimação com um rapaz da igreja.

Variando entre trabalhos na igreja, reuniões da mocidade, atividades com o namorado da época, pornografia, transas esporádicas com o pastor e com outros rapazes da faculdade, Maria Crente se encontrou em um abismo de infelicidade, culpa, tristeza e solidão. Profunda solidão. Tocada pelo Espírito Santo de Deus, convencida de seus pecados, Maria Crente decidiu abandonar a vida de transas esporádicas, pornografia e namorados de estimação. Ela decidiu voltar-se a Deus e a encontrar um namorado sério, com quem iria casar e constituir família. Passado outro tempo, depois de ter terminado com seu namorado, o coração de Maria foi arrebatado por João Crente, um rapaz da nova igreja que ela resolveu frequentar.

João Crente e Maria Crente engataram um namoro com pouco tempo de conversa. Não podendo resistir um ao outro, resolveram se casar e esperar até a data do casório para se beijarem. Com imenso custo, conseguiram chegar a data do casamento sem se beijar e transar. Passado um tempo de casados, a frustração tomou conta novamente dos dois. João esperava algo de Maria que Maria não entendia. Maria esperava algo de João que João não entendia. Em certa altura do relacionamento, João considerava voltar para as garotas de programa, e Maria para o sexo casual com variedade de parceiros.

Como João e Maria Crente poderiam lidar com seus desejos sexuais e toda podridão nutrida por pecados passados e marcas passadas? Há caminho? Há solução? De fato há.

Podemos observar pelo menos três coisas em toda esta história.

A primeira delas é de que todos nós temos desejos sexuais impetuosos, latejantes, constantes e insaciáveis. E que vamos encontrar muitas maneiras de tentar satisfazê-los seja transando com nossos parceiros, com prostitutas, consumindo pornografia ou qualquer outra forma de expressão depravada do sexo. Não importa o que a gente faça, não importa em quê a gente pense, não importa o grau de intimidade com Deus ou comprometimento com o evangelho, não importa nosso conhecimento sobre a Palavra de Deus, a altura, a largura, a profundidade ou qualquer outra medida de nossa santidade e relacionamento com Deus, as paixões sexuais surgirão em nosso coração prontas para nos dominar sem grande esforço. Nós temos dentro de nossos corações uma força inexplicável, e altamente poderosa, que nos impele rumo a toda forma de paixão sexual que ultimamente nos faz enveredar por caminhos penosos de prostituição, tristeza, autodepreciação e solidão. E esta força não pretende ir a lugar algum, nem mesmo se já somos regenerados pelo Santo Espírito de Deus. Seremos tentados todos os dias de nossa vida. É melhor aceitarmos este fato de pronto. E nos preparar para a guerra.

A segunda coisa que podemos também observar é que toda forma que escolhermos para satisfazer nossas carências sexuais, fora do casamento e estranhas ao evangelho de Jesus Cristo, nos deixarão marcas e impressões que deformarão nosso apetite sexual e a forma como vemos o sexo. Por exemplo, João Crente optou por ter relações sexuais com prostitutas. Ora, prostitutas são profissionais do sexo e manejam muito bem o homem a fim de fazê-lo ter um prazer sem igual. João também era um ávido consumidor de pornografia e ela também oferece uma variedade de parceiros sexuais que são verdadeiros atletas do sexo roteirizado. Agora, o que poderia acontecer quando João Crente transasse com sua esposa Maria Crente? Comparação. João pegaria suas experiências pregressas e compararia com a performance de Maria Crente, que embora muito experimentada no assunto, não era nenhuma atleta ou profissional do sexo. O fato é que toda a forma de expressão de sexo que consumimos antes do casamento farão parte de nós, de nosso casamento e, consequentemente, de nossa família. E mesmo que escapemos de perversões diversas e cheguemos ao casamento virgens, pode ser que tenhamos demonizado o sexo de tal maneira e nos reprimido de tal modo, que proveito nenhum teremos quando finalmente não for mais uma transgressão transar. De qualquer forma, nós criaremos marcas e impressões que deformarão nossa visão do sexo, seja praticando ou reprimindo ferozmente de uma forma pouco sábia. Estas marcas e impressões farão parte de nós e é bom aceitarmos este fato de pronto.

E, a terceira coisa que podemos perceber pela a história, é de que estas marcas e impressões se transformarão em nosso próprio torcido e depravado desejo sexual que muito certamente nos dominará. Se antes João Crente se satisfazia apenas transando com uma mulher, uma vez consumindo sexo de uma profissional e pornografia, seu desejo sexual não seria mais apenas sobre mulheres, mas, sim, um conjunto de experiências e sensações que uma única simples mulher já não é capaz de oferecer. O mesmo vale para Maria Crente. Tendo um marido como João Crente habituado a só pensar na sua própria satisfação e incapaz de ter a sensibilidade para satisfazê-la, rapidamente Maria Crente sentiria falta das suas aventuras sexuais libertinas. Um único homem já não seria o suficiente para fazer dela uma mulher satisfeita sexualmente.

Então, vamos recapitular.

Nós temos um desejo inesgotável por paixões sexuais que nos perseguirão pelo resto da vida. As formas que escolhemos para satisfazer nossas paixões nos deixarão marcas e impressões que farão parte de quem nós somos. Ultimamente, essas marcas e impressões se tornarão nosso desejo, nossos ídolos e viveremos em função da interminável necessidade de satisfazê-los. Desta forma, parece que estamos amaldiçoados a sermos escravos de nós mesmos e de uma corrupção infinita. De fato, nós estamos. A maldição se chama pecado e torceu todas as coisas, inclusive nosso desejo sexual.

Mas graças a Deus, nosso Senhor Poderoso Pai, que proveu para nós redenção e livramento na pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Deus e Salvador, que pelas misericórdias eternas do Senhor Espírito Santo, traz reconciliação para nós, e para todas as coisas, todos os dias de nossa vida e por todo o sempre. Por isso, há esperança.

A única forma de administrar resolutamente nossa condição sexual depravada, administrar os desejos sexuais tortos, as marcas e impressões que deixaremos em nós ao tentar satisfazê-los e destronar nossos ídolos do desejo, é através de Jesus Cristo. Precisamos nos reconhecer nessa cadeia, buscar o arrependimento, precisamos tornar os nossos olhos para nosso Deus e buscar perdão e novidade de vida. Foi o que João Crente e Maria Crente fizeram ao serem confrontados pelo Senhor Deus. Desistiram do curso autodestrutivo de suas vidas e se voltaram para Deus em busca de um novo e vivo caminho em Jesus. Sem esta constatação, sem este arrependimento, sem esta busca sincera, permaneceremos em um ciclo vicioso de prostituição e solidão.

No entanto, mesmo regenerados por Deus, João Crente e Maria Crente ainda estavam frustrados em seu relacionamento, insatisfeitos um com o outro e ainda considerando voltar às antigas práticas em busca de satisfação. Neste caso, um excelente caminho para a satisfação é o mais franco e simples diálogo. É preciso estar disposto a buscar o prazer de forma conjunta, longe de todo e qualquer egoísmo, o sexo precisa ser bom para os dois. Os dois precisam chegar ao orgasmo. As fantasias e fetiches (desde que sãos) precisam ser discutidas abertamente sem vergonha, sem timidez, e praticadas intensamente sem pudores, sem receios. Sem medo, os dois precisam ser bons manejadores do seu próprio corpo e bons conhecedores do corpo de seu cônjuge. A química e toda a explosão romântica (ou não) da expressão de sexo contidos nos livros, no cinema, na TV e em qualquer outra mídia só chegam a realidade através de mútuo conhecimento através do diálogo dentro do casamento. Mágica e leitura de mente ainda não são possíveis.

Portanto, embora o casamento seja o ambiente seguro para a prática e liberação de nossos desejos sexuais, ele não é a cura para as nossas depravações sexuais. As paixões sexuais estarão presentes em nós por toda nossa vida e todas as experiências sexuais positivas e negativas que tivermos pregressas ao casamento, na tentativa de nos satisfazer sexualmente, nos deixarão marcas e se formarão como um ídolo a nos dominar e encerrar em uma tirana, cruel e implacável escravidão.

É graças a Jesus Cristo, nosso Senhor que, ao se projetar no mundo, tomar o nosso lugar de condenação, levar sobre si nossas muitas culpas e crimes, ressuscitar vencendo a morte e hoje reinar absolutamente sobre tudo e todos, pôs fim à tirania do pecado e nos convidou para o seu reino de amor eterno. Por isso temos esperança. E por esta esperança no reconhecimento de nossos pecados, no arrependimento sincero diante de Deus, somos reconciliados e livres da cegueira e da escravidão do ego.

No casamento, ainda temos um longo caminho de autoconhecimento, diálogo e amor ao cônjuge que, além de muitas outras coisas boas, nos impulsionarão a ter uma vida sexualmente ativa e prazerosa para as duas partes. De forma que ambos se satisfaçam sexualmente um no corpo do outro.

Admitamos nossa infinita paixão sexual, reconheçamos nossos ídolos e busquemos em Jesus esperança de uma vida livre da culpa, da amargura, da tristeza, do remorso, da solidão e da infelicidade.

Jesus Cristo é o único caminho para a satisfação.

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Dorly Junior

Dorly Junior

Dorly Junior é servo de Deus. E descobriu no Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, a genuína liberdade da escravidão do próprio ego. Curte Rock'n'roll e filme de terror. Atende no Facebook. Me acha lá! =D

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