Fé e Sexo: Por que o sexo vai destruir seu namoro?

O pecado é implacável.

Falar de castidade até o casamento hoje em dia é sinônimo de piada. Com um sem-fim de responsabilidades como vestibular, faculdade, trabalho e sonhos pessoais influenciados por um cultura do prazer a todo custo, do “o que importa é ser feliz”, o jovem cristão moderno, quando pode, posterga ao máximo a ideia de um casamento ou formação de família. Isso quando ele pensa sobre isso. Postergar o casamento significa ter de ficar por mais tempo sem sexo. O que é, para muitos, uma loucura e uma bobagem. No entanto, se pensarmos bem, o que é o evangelho do Senhor Jesus se não uma loucura?

Se o jovem de hoje está mais atarefado, cheio de sonhos de consumo, se esforçando cada vez mais para conseguir estabilidade financeira e relevância na sociedade,  se está também influenciado por uma cultura de prazer sem limites e sem consequências, qual seria o resultado disso em seus relacionamentos? O resultado é um relacionamento de estimação.

Relacionamentos de estimação são relacionamentos com presente, mas sem futuro. São relacionamentos cultivados apenas para satisfazer carências egoístas, para matar a necessidade de atenção, de afeto e saciar a fome de sexo. Os companheiros e companheiras de hoje são apenas parceiros para dias e noites de finais de semana, de passeios e viagens, alguém para dar e receber presentes, receber demonstrações de carinho e afeto. São relacionamentos estritamente baseados no consumo. Enquanto estiver bom, bom, mas quando ficar ruim, acaba. São relacionamentos sem futuro, porque geralmente não se fala sobre um futuro, um casamento, não há uma família no horizonte. Ou quando se fala, é algo que soa como se só fosse acontecer daqui há milênios.

“Nós vamos nos casar. Quando eu me formar, terminar uma pós ou um curso mais técnico. E quando você se formar e conseguir um bom emprego. Talvez depois de você fazer seu mestrado e eu ter passado num concurso público. Aí só vai ficar faltando comprar uma casa, o carro, o cachorro, juntar uma grana para viagens, para a festa e pronto.”

Além da multidão de requisitos para alcançar, da mentalidade consumista, da falta de um futuro claro para o relacionamento e da impaciência para esperar o casamento para transar, o jovem cristão moderno também não tem uma noção clara das consequências de avançar as etapas e transar regularmente com seus parceiros de namoro (ou com mais de um deles). Não sabe ou não considera as consequências desta transgressão e não entende o perigo de tal repetição de comportamento. A partir daí cinicamente encontra formas e maneiras de torcer a palavra de Deus para justificar suas atitudes. Cede a argumentações mentirosas, hipócritas e a racionalismos baratos encontrados na cultura de nosso tempo para dobrar a lei do Senhor Deus e de alguma maneira encontrar sossego para seus espíritos.

“Eu amo ele. Se eu não transar, vou perder o amor da minha vida”.

“Já namoramos há tanto tempo e temos casamento marcado. Transar é o de menos agora.”

“Como eu vou resistir a vontade de transar? Nesta nossa realidade sem precedentes é impossível. Não tem como. Além do mais se há amor, há compromisso, então podemos transar, porque isso é casamento”.

Eu, o autor que escreve, sempre fui um rebelde. Nascido e criado dentro da igreja, aliás. Quando era um pouco mais jovem eu considerava todas as pessoas da igreja um bando de hipócritas asquerosos. Um bando de maridos e esposas infiéis uns aos outros, famílias encerradas na aparência de santidade, mas vivendo no transbordo de imundície de sua própria falsidade. Jovens que falavam de vida com Deus, mas viviam de prostituição em prostituição, de bebedice em bebedice e outras drogas diversas. Quando falavam de namoro santo, de namoro casto, para mim era uma grande piada. Eu tinha prazer na perseguição e na destruição da imagem de “santos” do povo cristão. Para mim, o mundo precisava conhecer o circo que era a religião evangélica e toda a hipocrisia que a encerra.

Quando mencionavam a forma de namoro através da corte, aquela imbecilidade de namoro sem beijo e praticamente sem toque e ainda por cima acompanhando por outro bando de imbecis líderes da igreja, meu estômago simplesmente revirava e não conseguia entender a infinidade da estupidez humana. Fora o comportamento extremamente arrogante e julgador, eu também cinicamente torcia as verdades bíblicas para o meu favor e o favor de meus desejos egoístas. Com isso eu tinha uma vida sexualmente ativa sem qualquer sombra de arrependimento. Por algumas vezes eu fui confrontado com a prática, mas quanto mais questionado, mais obstinado permanecia em minha transgressão e em minha cínica defesa.

Eu estava apaixonado e tinha planos remotos para um futuro, para uma família, mas não tive e nem queria ter a paciência para esperar. Em verdade, eu estava em uma cadeia e fiz de uma moça minha fonte de prazer e satisfação de carências diversas. E a contínua prática deste pecado e a contínua obstinação do meu coração no erro fizeram com que meu relacionamento, que eu julgava ser o mais importante, fosse desfeito e com ele os meus sonhos de um futuro remoto. O pecado, em última análise, destruiu meu relacionamento. Porém, Jesus, o Senhor, em sua infinita bondade e misericórdia, transformou toda a minha angústia em sabedoria, toda minha obstinação em arrependimento e me deu uma nova mente e um novo espírito pelos quais hoje busco contínua satisfação e prazer, não mais em uma moça, mas, sim, em Jesus, meu Senhor e Salvador.

E este é o motivo pelo qual o sexo vai destruir seu namoro: o pecado. Não há uma resposta acadêmica, elaborada, cheia de argumentações e pontos de vista. Simplesmente o pecado. A contínua transgressão, com remorso as vezes é verdade, todavia, sem arrependimento, acarretará também contínuas consequências. Porque se cremos em um Deus vivo, Senhor de tudo, que tudo vê e tudo sabe e com tudo se importa, é bem certo que creremos também que ele permitirá que a dor do pecado nos alcance a fim de nos convencer da maldade e nos levar ao arrependimento e a mudança de nossos atos. A duras penas se necessário for.

Mas o que representa o sexo para que transar fora do casamento acarrete tantas consequências ruins?

A Bíblia nos revela que o sexo foi a forma escolhida pelo Senhor Deus para demonstrar em parte como será o prazer do relacionamento com Ele nos céus. Por várias passagens bíblicas a imagem usada para ilustrar o relacionamento de Jesus com sua Igreja é a imagem de um marido e sua esposa, do noivo com a noiva, ou seja, o relacionamento de Deus com a Igreja é semelhante ao inflamar de amor entre homem e mulher expressado pelo sexo. Quando o marido transa com sua esposa, o conjunto de sensações e sentimentos ali expressados se assemelham com o relacionamento que teremos com Deus Pai, Jesus e o Senhor Espírito Santo na eternidade, onde, enfim, seremos um. O sexo é uma forma de louvor a Deus e deve ser praticado em abundância dentro do casamento. Para que esta expressão seja de fato um louvor, é preciso que o casal seja de sexos opostos, homem e mulher, e que esteja dentro da aliança do casamento. A masturbação, a fornicação, o adultério e a pornografia, e toda outra forma torpe, são uma desconstrução desta imagem santa e perfeita do sexo. E desta forma o que é uma bênção dentro do casamento é, fora dele, uma maldição.

Precisamos parar de transar com nossas namoradas e namorados, por mais difícil que seja, por mais absurdo que seja, precisamos ter ânimo, nos arrepender e buscar em Jesus, nosso Senhor, direcionamento. Precisamos conversar sobre sexo abertamente e sem constrangimentos durante o namoro para determinar limites de até onde podemos ir sem se atracar rumo ao sexo. Conversar abertamente.

“Não pegue no meu bumbum, você me deixa louca assim.”

“Não beije meu pescoço, porque você me tira do sério assim.”

“Não passe a mão aí.”

“Não dance desse jeito que a carne é fraca.”

E não optemos pela castidade por mero medo de consequências de pecados, seja de ordem espiritual ou carnal, mas, sim, por amor. Amor a Deus e por amor a nossos companheiros para que fique clara a seriedade de nossas intenções e de que estamos buscando um futuro sério e promissor ao lado deles. Que podemos esperar, porque estamos em busca de um amor para a vida toda e não apenas por prazer egoísta. É certo que todas as restrições da parte do Senhor Jesus são para o nosso bem, para nos poupar de sofrimento vão e nos encaminhar por uma vida de alegria a fim de nos dar o que nosso coração anseia.

Portanto, não é que o sexo sozinho vai destruir nossos relacionamentos amorosos, mas, sim, o conjunto da obra. Se estamos mantendo um relacionamento sexualmente ativo, mantemos primeiro porque muito provavelmente estamos vivendo em um relacionamento de estimação que visa unicamente a satisfação presente de nossas carências, há presente, mas não há futuro. Segundo, porque muito provavelmente nós estamos lidando com um número alto de responsabilidades, projetos pessoais e objetivos a curto, médio e a longo prazo que tomam boa parte de nossas energias e que fazem com que a ideia de um casamento se torne distante. Por fim, com uma imensidão de requisitos, com um pensamento imediatista, cedendo a ideias estranhas ao evangelho arraigadas na cultura satânica de nosso tempo, ficamos impedidos de ter paciência para construir um futuro com alguém. Ficamos impedidos de buscar uma aliança verdadeira com alguém por toda uma vida.

Sendo o sexo uma expressão do amor de Deus, um louvor e uma bênção dentro do casamento, qualquer expressão de sexo fora deste contexto é pecado que trará consigo consequências duras que bem certamente arruinará o nosso amor e despedaçará o nosso namoro. E se uma dessas consequências for uma gravidez certamente mudará drasticamente nossos planos presentes e futuros.

Mas pela graça de nosso bom Senhor Jesus, pelas misericórdias infinitas de nosso Deus, pela bondade de nosso Consolador Espírito Santo, somos convidados todos os dias ao arrependimento de nossos pecados. A tomar um caminho diferente para experimentar a boa vontade de nosso Deus em nosso viver e também em nossos relacionamentos. Eu, o autor, me arrependo de não ter considerado quem me confrontava, de não ter ouvido o Senhor Jesus através da Palavra de Deus, de não ter dito paciência, me arrependo de não ter obedecido. Teria me poupado grande sofrimento.

Obedeçamos ao Senhor Jesus e, pela fé, confiemos na certeza de que evitar o sexo no namoro é a forma mais saudável de construir uma aliança em verdadeiro amor.

Este texto foi fechado ao som de “All the World is Mad” dos sensacionais caras do “Thrice”. Ouve ae.

 

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Dorly Junior

Dorly Junior

Dorly Junior é servo de Deus. E descobriu no Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, a genuína liberdade da escravidão do próprio ego. Curte Rock'n'roll e filme de terror. Atende no Facebook. Me acha lá! =D

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1 Resultado

  1. Lia disse:

    Muito bom o texto. Que Deus continue te abençoando.

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