Pokemon Go e outras obsessões modernas

Nosso ego é uma cadeia.

Acredito que a febre de Pokemon Go tem algo a nos dizer.

Pokemon Go é um jogo de celular que permite que o jogador capture criaturas no mundo real através da câmera do aparelho usando a tecnologia de realidade aumentada. O recurso da realidade aumentada faz com que as criaturinhas estejam visíveis no mundo real. Também há um engenhoso sistema que usa o mapa e a localização do usuário para gerar as criaturas e pontos de interesse por região.

Pois bem. A primeira coisa a se observar é que estamos vivendo em uma sociedade com um nível de desinteresse tão grande que qualquer novidade é suficiente para levar as pessoas direto ao nível da obsessão. Já existem relatos de gente que foi esfaqueada procurando pokemons, mas não quis ir ao médico, antes, preferiu continuar sua “caçada”, porque essa missão era mais importante do que a própria vida. Outros relatos dão conta de gente que caiu de penhascos, bateu de carro, se perdeu em florestas, perdeu emprego e por aí vai numa lista de bizarrices que só está começando a ganhar forma. Tudo em nome de uma missão virtual sem sentido. O excesso de informações, o excesso de novidades e o excesso de tecnologias esta mortificando a mente da sociedade encerrando-a em um torpor mental. Literalmente as pessoas estão correndo atrás do vento.

A segunda coisa a se observar, é que estamos vivendo em uma sociedade bastante doente e carente. Nunca antes a necessidade de fazer parte de algo, de ser aceito em algum lugar, nunca antes a necessidade de ser idolatrado foi tão latente em nossa sociedade. E a tecnologia abriu largamente as portas para este feito. O jovem quer ter um canal de vídeos para ter uma legião de fãs, a moça quer ter o corpo perfeito para ter uma legião de admiradores virtuais, o fulano quer ser MC para ser assediado, a ciclana quer ser vista por algum artista para alçar o status de celebridade. Cada pessoa está buscando obsessivamente por meio da tecnologia um altar próprio. Neste altar ela pode ser idolatrada, admirada e mimada na esperança de que o buraco do vazio existencial alojado em seu peito possa ser tapado, onde a profunda angústia da falta de propósito possa ser dissipada e, finalmente, a felicidade plena possa ser alcançada.

Esse tipo de obsessão notável no jogo Pokemon Go, nessa busca por algum nível de satisfação própria e louvor próprio, é o mesmo tipo de obsessão que observamos nas estrelas das redes sociais, nas estrelas de blogs por aí, nas estrelas de site de vídeos, nos MCs da vida e nas estrelas do mundo dos games. Gente como a gente que ganhou notoriedade pela viralidade da web. Eles formam uma máquina de influência alimentada pela indústria que visa levar cativas outras pessoas rumo ao mesmo, ou ainda maior, nível de obsessão. Para que as pessoas entrem num estilo de vida ilusório e consumam os produtos destas indústrias de forma compulsiva e obsessiva.

Imagine uma pessoa que entra na academia com o sério objetivo de ganhar massa ou de perder peso. Ela entra numa rotina de alta disciplina, de dietas e exercícios rumo ao seu objetivo, porém, não podendo nunca estar satisfeita, obstina-se de tal forma que se transforma em um prisioneiro de sua rotina. Se torna obsessiva pelo corpo perfeito, pelos “likes” e pela aprovação das pessoas. Apesar de já ter alcançado o objetivo que queria, vai se privando de uma série de outras coisas em prol de outros objetivos que, no fim, se resumem em correr atrás do vento. Não que a busca por uma vida mais saudável seja algo ruim. Não é isso. O problema é não mais discernir a linha do que é saudável e do que é obsessão. É não ter a boa consciência de estar satisfeito com os resultados alcançados. É nunca estar satisfeito com quem é e sempre tentar ser como o vizinho.

Nós sofremos a influência de tudo a nossa volta, estamos sendo influenciados o tempo inteiro, eu mesmo, com este texto, estou te influenciando a pensar de determinada maneira, porém parece que perdemos a capacidade de julgar estas influências antes de permitir que elas mudem nossa conduta e nossa forma de viver. Precisamos julgar. E julgar bem. Julgar até onde certa influência é válida, até onde vale a pena seguir e por quanto tempo vale a pena se submeter. Precisamos voltar a reconhecer os limites que separam o saudável da obsessão.

Mas de onde vem esta obsessão por ser amado? Por ser idolatrado? Por ter e cultivar um altar onde as pessoas possam vir e se admirar de nós mesmos e de nossos feitos?

Algumas pessoas podem pensar que a razão de Adão e Eva terem sido expulsos do paraíso de Deus se deve por terem desobedecido e comido de uma fruta que o Senhor proibiu que fosse comida. Outros pensam que foi simplesmente por influência de satanás e outros ainda pensam que foi por conta meramente da quebra de uma regra estabelecida a fim de prová-los. No entanto, em verdade, o motivo de nós termos caído do paraíso foi o querer ser igual a Deus. Nós queremos ser independentes do Senhor Deus, queremos governar sobre nossas próprias vidas, não queremos prestar contas a ninguém sobre o que fazemos ou pensamos, queremos a glória e a adoração para nós mesmos, queremos ser exaltados, idolatrados e ter nossos egos louvados e cada um de nossos desejos egoístas satisfeitos. Queremos ser ditadores tiranos covardes a afligir nossos próximos e levá-los a escravidão de nossa vontade cruel.

Esta é a raiz de todo pecado. Esta é raiz de toda a maldade do mundo. A crueldade de nosso ego e a necessidade de ser idolatrado. Este caminho da auto adoração é um caminho de frustração perpétua. Nunca estaremos satisfeitos com nossas conquistas, com nossa aparência, com a quantidade de admiração ou louvor que vamos receber. É fácil observar esta angústia cíclica que atinge nossa sociedade. Se para alguém o dinheiro é a plena satisfação, o rico sempre quer mais e mais dinheiro. Se influência é a plena satisfação, o influente quer cada vez mais ser influente e relevante. Se beleza é a plena satisfação, o belo quer sempre ser mais belo e atraente e não se conforma com a velhice. Tudo que conquistamos é jogado no buraco negro de nossa insatisfação. E a maldade que usamos para alcançar nossos objetivos com as pessoas que ferimos, exploramos, enganamos, pisamos e desprezamos só evidência o tamanho da doença que carregamos desde o berço dentro de nós mesmos. Esta doença não é outra senão o ego.

E quem poderá nos livrar de tamanha aflição e perpétua insatisfação? Quem nos salvará de nós mesmos? Jesus Cristo. Nosso libertador Deus. Ele é quem nos salvará.

Se uma vez éramos escravos de nós mesmos e inimigos de Deus, por conta de nossa imensurável maldade, Jesus Cristo, ao tomar o nosso lugar de condenação e ser condenado e morto em nosso lugar, ao suportar toda a carga da furiosa justiça de Deus, ao pagar o preço e ao ressuscitar para reinar sobre tudo e todos, nos fez agora mais do que amigos de Deus, mas filhos de Deus. É pelo ministério de Jesus que aprendemos a combater o nosso ego.

Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. Marcos 12:30-31

Ora, se a raiz de toda maldade do mundo é nosso ego cruel, amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a nós mesmos é decretar a morte do ego e, logo, o fim da maldade. E é o que Jesus nos convida a fazer. A aceitar nossa condição de pecadores, de egoístas maldosos, reconhecer que precisamos da graça de Deus, mortificar o ego para que Deus nos dê uma nova mente, arrependermos de nossa crueldade e aceitar pela fé o sacrifício de Jesus em nosso lugar. Para que sejamos transformados pela bondade do Senhor e conformados na imagem perfeita e incorruptível de Jesus Cristo, filho de Deus e nosso Salvador. E só atingiremos a plenitude dessa perfeição quando deixarmos a carne, porque enquanto estivermos neste planeta lutaremos contra a nossa própria maldade e corrupção. Pois não há quem não erre entre nós. Somos todos pecadores sendo transformados por Jesus Cristo todos os dias de nossa vida.

E é também por este mesmo ministério de Jesus Cristo através da Palavra de Deus que iremos ter a sabedoria para julgar bem as influências que caem sobre nós. Pela sabedoria de Deus teremos o discernimento para identificar os limites do que é realmente saudável e do que é obsessão doentia. Pela bondade e misericórdia de nosso Deus seremos capazes de escapar das cadeias do ego e das prisões da aparência, da influência e do poder. É com Deus que teremos uma vida sóbria regada pela replicação da bondade, graça, compaixão e misericórdia que nos alcançou através de Jesus Cristo.

Portanto, vivemos em uma sociedade doente mortificada pela insatisfação do ego e pela obsessão de ser louvada, reconhecida e adorada através da tecnologia ao criar altares virtuais. A obsessão pela auto adoração é a raiz de todo o pecado e de todo o mal, porque queremos o lugar de Deus, porém esta obsessão é um caminho de tormento cíclico que nos aprisiona e nos faz infelizes.

Sendo o Senhor Deus infinito em bondade, misericórdia e amor, proveu para nós em Jesus Cristo, quando ainda éramos inimigos de Deus, a reconciliação pela qual somos agora chamados filhos Deus por meio da fé em quem Jesus é e do que ele fez por cada um de nós. É o ministério de Jesus, na Palavra de Deus, que nos transforma a mente, renova o coração e nos enche de propósito rompendo as cadeias do ego e nos levando à paz. Também é por este ministério que temos a sabedoria para discernir a linha entre as influências saudáveis e a doentia obsessão.

Jesus Cristo é o caminho para plena satisfação, plena paz e plena felicidade. Em Deus somos completos.

Este texto foi fechado ao som poderoso de “Oração” do trio “Discípulos”. Ouve ae.

Compartilhe!
Dorly Junior

Dorly Junior

Dorly Junior é servo de Deus. E descobriu no Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, a genuína liberdade da escravidão do próprio ego. Curte Rock'n'roll e filme de terror. Atende no Facebook. Me acha lá! =D

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *