Pornografia e os efeitos em seu cérebro

A pornografia não é um problema ligado a questões da moral ou da religião, mas, sim, de fato, um problema de uma transformação no cérebro causada pelo abuso de dopamina.

O consumo de pornografia, antes de passar por questões da moral ou de religião, passa primeiro por questões relacionadas a saúde mental e comportamental de um indivíduo. A pornografia está arruinando casamentos, famílias, destruindo a visão saudável do sexo, está escravizando as pessoas em um ciclo de distorção da sexualidade. Argumentar que o consumo da pornografia é algo comum, que é a apreciação de um tipo de arte ou que é benéfico para o desenvolvimento sexual de alguém é uma rude negação dos efeitos danosos ao cérebro e ao comportamento de seus consumidores. A pornografia é uma droga e como toda droga faz muito mal.

Certa vez uma menina religiosa foi pedir conselhos a uma certa colunista do Yahoo (que tem uma coluna sobre sexo) sobre como parar de consumir pornografia. Ela se considerava uma viciada. Não conseguia parar de assistir, sentia mais prazer assistindo vídeos do que com o sexo verdadeiro com seu namorado (opa, como que ela sabe se sexo real é bom? Ela não é religiosa? E daí? Religioso é chegado numa hipocrisia. A essa altura da vida, isso não deveria ser novidade, deveria?). Ela estava envergonhada e queria encontrar uma forma de parar. Nossa querida, e imprestável, colunista começou seu post sugerindo que talvez ela não estivesse fazendo nada de errado. Criticou a religião taxando-a como algo castrador e empata felicidade. Argumentou que a pornografia é saudável para o desestresse e de que o que ela andava sentindo era apenas “culpa cristã”. Ainda sugeriu que não há consenso sobre se existe de fato um vício em pornografia por parte dos estudiosos. Em suma, ela negou a possibilidade da pornografia ser, na verdade, um problema de saúde. Ela estava enganada. Ela não fez mais do que defender suas próprias convicções desprezando inteiramente a angústia de sua leitora. Uma fria e imprestável colunista crendo estar fazendo o bem, porém não está fazendo nada. É como dizer a alguém viciado em crack que o crack é bom para desestressar e que não tem nada de errado com isso.

Nesta mesma linha, uma outra vertente defende que o consumo de pornografia não é nada de mais. Diz que esta é uma questão puramente religiosa. A “culpa cristã” mencionada por nossa mal informada colunista do Yahoo. Argumenta que apenas os cristãos possuem essa visão nociva da pornografia por conta de dogmas, mandamentos e de sua moral religiosa, porque indivíduos seculares não reconhecem que a pornografia lhes faz mal e que estão viciado nela. Desta forma, afirmam que o consumo de pornografia é apenas um problema de ordem moral e não um problema real. Isto também não é verdade. A verdade é que os cristãos, por questões óbvias para nós cristãos (convencimento por parte do Senhor Espírito Santo, convicção de pecados, moral religiosa, padrões de conduta compatíveis com o evangelho de Jesus Cristo), temos uma maior rapidez para perceber que há algo de errado com nosso comportamento e de que a pornografia de fato é algo muito danoso. Desta forma, o cristão compreende mais rápido o vício e seus efeitos negativos ao passo que o secular pode demorar um pouco mais, por isso, em questão de números, podemos ter mais cristãos buscando uma reabilitação do que as pessoas seculares. No entanto, de forma alguma, o problema do consumo da pornografia seja restrito a pessoas religiosas apesar de poderem estar em maioria.

Mas como a pornografia pode afetar o cérebro de alguém? Quais são os efeitos do consumo da pornografia na vida de uma pessoa? Quem joga luz sobre o assunto é o neurocientista americano Gary Wilson em seu artigo intitulado “O Grande Experimento”.

Em suma, a questão gira em torno do sistema de recompensa de nosso cérebro. Neste sistema primitivo existem três atividades básicas que produzem satisfação em nosso ser: comer, o sexo e os relacionamentos sociais. São destas atividades que nosso cérebro busca naturalmente a dopamina necessária para satisfazer nosso sistema de recompensa. A dopamina é uma substância química liberada pelo cérebro que desempenha uma série de funções, incluindo prazer, recompensa, movimento, memória e atenção. Toda vez que nos saciamos com comida, com um bom sexo ou no cultivo de boas amizades recebemos cargas de dopamina que nos fazem prosseguir vivendo de forma satisfeita. A pornografia toma a forma da recompensa natural do sexo e a transforma em uma fonte artificial de satisfação, de geração de dopamina. Para o nosso cérebro primitivo as mulheres nuas na tela do computador são oportunidades únicas para nos reproduzirmos, ou seja, o cérebro, o sistema de recompensa, não consegue diferenciar o sexo real do sexo virtual. Para ele a masturbação acompanhada de pornografia é sexo real e todas as mulheres disponíveis na tela do computador são parceiras reais.

Para cada relação sexual o cérebro dispara uma quantidade de dopamina que é limitada por parceiro. Porém, com a pornografia na internet,  a quantidade de parceiros pode ser infinita. Cada imagem, cada vídeo, cada homem ou mulher, para nosso cérebro, representa um parceiro diferente e libera uma quantidade diferente de dopamina. Desta forma, um ser humano pode simular em seu cérebro uma infinidade de relações sexuais em um espaço muito curto de tempo, num simples espaço entre um clique e outro, de uma imagem a outra, de um vídeo a outro, e a quantidade de dopamina disparada por nosso cérebro nestes casos é superabundante. O efeito deste abuso é uma adaptação no cérebro para dar conta destas cargas cada vez mais abusivas de dopamina. Em outras palavras, nosso cérebro não foi feito para lidar com infinitas cargas de dopamina liberada pela a infinidade de parceiros que a pornografia proporciona. Para se adaptar a este fluxo infinito ele reduz a quantidade de receptores de dopamina. Quanto mais dopamina, menos receptores. É a forma encontrada por nosso cérebro para administrar altas doses artificiais de “satisfação”.

Os efeitos deste processo são similares aos efeitos do vício de jogos, dos vícios em substancias e do álcool. O usuário, por ter menos receptores de dopamina e a cada orgasmo precisar de ainda mais dopamina para atingir a mesma intensidade do orgasmo anterior, cria uma necessidade de buscar ainda mais doses de pornografia, de diferentes gostos, de diferentes sabores, de maiores perversões, para atingir o nível necessário para ter satisfação. E aqui está montado o ciclo clássico de um vício. A necessidade de mais dopamina, gera a necessidade de um maior consumo da droga, quanto maior o consumo da droga, menos receptores de dopamina e maior a necessidade de dopamina para atingir a mesma intensidade de antes. Ou seja, quanto mais, menos. Nosso cérebro cria um mecanismo de defesa chamado de “amortecimento” ou indiferença ao prazer natural, porque estes não proporcionam mais as quantidades necessárias de dopamina capazes de satisfazer o sistema de recompensa de nosso cérebro. De forma prática, uma pessoa viciada em pornografia, acostumada com altas descargas de dopamina, perde gradativamente o prazer nas coisas simples da vida. Mulheres reais já não são tão interessantes (porque não são perfeitas e dão muito trabalho),  o sexo real perde a graça ao ponto extremo de causar disfunção erétil ou indiferença, as atividades físicas, sociais e muitas outras fontes naturais de prazer não são mais tão atraentes assim. O indivíduo entra em um ciclo de auto depreciação, dor, culpa, remorso, procrastinação e indiferença.

A pornografia é um problema real em nossa sociedade, não se trata de culpa cristã, mas, sim, da constatação dos efeitos danosos que este vício causa ao cérebro e consequentemente ao comportamento do indivíduo. Pelas pesquisas e pelo trabalho de Gary Wilson, podemos observar que em vários sites onde os homens costumam se reunir, sites de musculação, de esportes diversos, de jogos, há quase sempre uma área destinada ao combate ao consumo de pornografia. São homens e mulheres, com ou sem vínculos religiosos, que perceberam que a culpa, o remorso, o amortecimento social, a procrastinação, a depressão, a ansiedade e muitas outras coisas negativas que andavam sentindo era efeito do abuso de dopamina causado ao cérebro pelo consumo de pornografia.

E seria possível reverter estes efeitos e fazer com o cérebro volte a operar normalmente? É possível rebalancear o cérebro e seu sistema natural de recompensa? Segundo Gary Wilson, sim, é possível. Basta cortar radicalmente o consumo de pornografia. Muitos homens e mulheres mundo a fora, para se livrar do vício, estão adotando o chamado “desafio dos 90 dias”. Este desafio trata-se da abstinência de pornografia e masturbação por 90 dias e é baseado no fato de o cérebro humano ser capaz de se readaptar. Na medida que o nosso cérebro pára de receber as bombas de dopamina fornecidas pelo consumo de pornografia, ele passa a reativar os receptores naturais fazendo com que a sensibilidade volte ao normal. Em outras palavras, o indivíduo, em vez de buscar sua satisfação nas bombas de dopamina fornecidas pelo consumo de pornografia, volta a buscar satisfação nas coisas naturais da vida como sexo real com um parceiro ou parceira, nos vínculos sociais e em atividades individuais como esportes e aulas diversas. Não que todos os problemas de uma pessoa vão desaparecer ao cortar a pornografia por 90 dias, não é assim, os 90 dias servem como um ponto de partida para abandonar para sempre o consumo de pornografia, na medida que os dias avançam a pessoa terá uma nova visão da vida longe da castração causada pela pornografia. Seu cérebro será liberto dia a dia desse ciclo.

Portanto, a pornografia é uma droga e seus efeitos são reais e danosos ao cérebro de uma pessoa. Não se trata de uma questão moral ou de religião, não se trata de uma luta contra a indústria pornográfica, trata-se apenas do reconhecimento científico dos efeitos de seu consumo no cérebro de alguém. Não é algo saudável e em nada proveitoso. É simplesmente algo a ser abandonado não pelo bem da moral ou de uma religião, mas, sim, pelo bem individual de cada um. Se a pornografia é como um almoço para alguém ou como um futebol de final de semana ou como um válvula de escape para os momentos de pressão, ou seja, algo consumido regularmente, semanalmente ou esporadicamente, não importa a quantidade, este alguém precisa entender os danos que está sofrendo e o mais breve possível declarar guerra a este comportamento e abandoná-lo de vez.

Você pode conferir abaixo a palestra de Gary Wilson no TEDx falando acuradamente sobre seu artigo e mais baixo pode conhecer mais sobre o desafio dos 90 dias.

O grande experimento – Gary Wilson

Mais informações sobre o vício e de como parar:

http://comoparar.forumeiros.com/t78-reboot-de-pornografia-orientacoes-basicas

 

 

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Dorly Junior

Dorly Junior

Dorly Junior é servo de Deus. E descobriu no Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, a genuína liberdade da escravidão do próprio ego. Curte Rock'n'roll e filme de terror. Atende no Facebook. Me acha lá! =D

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