Sexo não faz um casamento

O sexo não tem o poder de fazer um homem marido e uma mulher esposa.

Andando por alguma timeline da vida alguém racionalizou o significado do casamento afirmando que manter relações sexuais com seu parceiro significa, a luz da Bíblia, estar casado. Sugeriu mais. Sugeriu que não há a necessidade de uma cerimônia para se constituir um casamento. A cerimônia serve apenas para um testemunho terreno e que Deus não se importa com isso. Ora, não é uma excelente desculpa esfarrapada para acobertar uma covardia em não querer assumir um relacionamento diante dos homens e para justificar o sexo fora do casamento? Não sejamos influenciados por esta mentira racional fruto de uma mente reformada farisaica.

Imagine a seguinte situação. Um casal de jovens se conhece e logo engatam um namoro. Os dois são jovens crentes convictos, frequentam suas igrejas e decidiram juntos esperar até o casamento para ter relações sexuais. No decorrer do tempo, as trocas de mensagens e as trocas de carícias vão ganhando contornos mais sexuais e, num dia qualquer em situação propícia, os dois têm sua primeira relação sexual. Passado o tempo, os dois são afligidos por culpa e remorso. Cada um segue para quem confia mais, um amigo, algum conselheiro, e confessa a dor no peito de ter caído no pecado sexual. Um filho do diabo aconselha: “Nossa, mas que decepção. Perder a virgindade dessa maneira? Seus pais vão ficar muito decepcionados com você. Eu recomendaria terminar o relacionamento e procurar um curso de como ser uma pessoa decente”. Outro filho do diabo aconselha: “Que bobagem. Todo mundo transa. Na igreja de vocês não tem um virgem sequer. Todos são uns hipócritas. Vocês são tão novos. Para que pensar em casamento? Estão achando que casamento é coisa boa? Vão aproveitar a vida. Transem a vontade”. Por fim, um filho de Deus aconselha: “Bom, se caíram, caíram. Deixem a culpa para lá. É tempo de buscar arrependimento em Jesus. E depois de arrependidos, é hora de conversar novamente e renovar os votos de castidade. Uma queda não pode definir o rumo de um relacionamento. Fiquem firmes no propósito de vocês. Jesus vai adiante e não nos deixará na morte. Crê, confia e espera”.

O dois ouvem os conselhos, pensam sobre eles, corajosamente decidem renovar os votos de castidade e manter o propósito do casamento em suas mentes. Passado mais um tempo, num dia qualquer, numa situação propícia, tornam a ter outra relação sexual. Desta vez nenhum deles quer se abrir com ninguém. Como vão chegar de novo para os filhos do diabo e para os filhos de Deus e confessar de novo o mesmo pecado? Nada disso. Conversam entre si, buscam literaturas cristãs sobre o assunto, assistem a pregações juntos sobre o tema, fazem orações juntos e novamente renovam os votos de manter o sexo para o casamento e constituir família juntos. Também assumem estratégias para se ver menos e reduzir o contato no decorrer do mês. O tempo passa novamente. Num dia qualquer, numa situação propícia, os dois outra vez tornam a ter outra relação sexual. E agora as coisas desandam. A culpa, a frustração, o remorso, o sentimento de incapacidade, a carência pelos longos dias sem contato, tudo isso junto, assume o controle de suas mentes de tal forma que o sexo se torna uma rotina. Não importa mais.

Não só não importa mais, mas também agora, envaidecidos pela estabilidade do próprio relacionamento, começam a se convencer de que não fazem nada de errado. Argumentam: “bem que o sexo nos faz uma só carne e sendo uma só carne, como no casamento, para Deus, somos como marido e mulher. Logo, a cerimônia de casamento, a aliança, pouco importa, porque ela é interessante apenas para os homens, não para Deus. O sexo nos faz casados e se somos casados, transar não tem problema”. Apesar das racionalizações constantes para justificar o pecado, a culpa, a dor no coração e o sentimento de estar fazendo algo de errado não cessam. Em algum tempo, já não mais podendo acreditar nas próprias mentiras que contam a si mesmos, resolvem dissolver o relacionamento, porque abandonaram os seus propósitos iniciais e as coisas perderam um pouco do sentindo. Para não terminar a história de forma triste, algum tempo depois, converteram-se em verdade a Jesus Cristo, se reencontraram, casaram, ganharam na loteria e hoje possuem quatorze filhos. Sete filhos e sete filhas. Não é uma coisa para lá de supimpa? Pois é.

Podemos observar por meio desta história de que há um entendimento de que o sexo por si só constitui um casamento. Na verdade, igualar o sexo a um casamento é algo que foge complemente de qualquer forma de sentido. O casamento contém o sexo e o sexo faz parte do casamento. O casamento é muito mais que uma relação sexual. É uma relação duradoura de companheirismo, de amizade profunda, mais profunda do que qualquer outra expressão. O casamento não é um ato, como o sexo, mas sim uma instituição, a base para a constituição da família, da educação de toda uma geração. O sexo, em verdade, faz de nós uma só carne, porém jamais nos faz marido e mulher.

Se o sexo não pode faz do homem marido e da mulher esposa, o que pode? A aliança entre os dois diante de Deus pode. Imagine um contrato. O que existe em um contrato? Existem dois lados, existem testemunhas, existem direitos, deveres e obrigações. Um contrato é como uma aliança, porém a aliança é ainda mais forte do que um contrato. Se observarmos o significado de aliança a luz das Escrituras Sagradas entenderemos que aliança é um acordo solene, negociado ou imposto unilateralmente, que ligam as partes umas às outras em relações permanentes, definidas, com promessas específicas, com reivindicações e obrigações de ambos os lados. Destaca-se aqui a palavra solene. Algo solene significa uma cerimônia grandiosa e oficial, ou seja, é algo feito à luz dos homens e do próprio Deus. Não se trata de algo acordado no profundo da intimidade de alguém. Desta forma, o casamento é algo que deve ser celebrado, divulgado, assumido em público diante dos homens e de Deus em forma de aliança. De outra forma, não existe uma aliança, logo não existe um casamento e, por fim, o sexo permanece como uma transgressão.

Assumir a aliança publicamente é requisito necessário para a constituição do casamento e para a validade do sexo sob a bênção de Deus. Isso não importa aos homens, isso importa ao próprio Senhor Deus. Nosso Deus é um Deus de aliança e em todas as oportunidades seguiu o protocolo estabelecido para validar a aliança em um ato solene, oficial. Não há quem preze mais pela a formação da aliança do que o próprio Deus. A intenção de fugir do ato público, do reconhecimento oficial da união, da aliança entre homem e mulher, é um forma de covardia do homem, de justificação de pecados. Porque na aliança do casamento o homem assume a responsabilidade sobre sua mulher e sobre seus futuros filhos. É o momento de transição onde ele deixa de ser filho e passa a ser pai, de dependente para provedor. É uma grande responsabilidade que tenta ser negada, anulada e evitada.

Portanto, o sexo não pode fazer de um casal marido e mulher. Pode fazer do casal uma só carne, porém não pode constituir uma aliança aprovada pelos homens e principalmente por Deus. Acreditar que é algo lícito estar em uma relação estável, sexualmente ativa, sem assumir de forma oficial a aliança, não passa de mais uma forma de racionalização de pecados com a finalidade de atenuar nosso remorso e culpa por conta de nossa transgressão.

Não podemos dar ouvidos a estes pensamentos de fariseus afundados em sua própria tolice. Também não podemos dar lugar a culpa quando as quedas vierem. Nosso Senhor Jesus jamais recusa um coração arrependido e quebrantado. Jamais cansa-se de perdoar, de ouvir um pecador arrependido, o Senhor não cessa de ser bom em tempo algum e sua graça não conhece limites. Não nutramos sentimentos de que Deus não quer nos ouvir, de que Deus está cansado de nos perdoar, de que não há lugar para nós no coração de Jesus, não ouça a satanás e suas muitas mentiras. Nosso Deus é paz e sempre nos estende a mão.

Não percamos as esperanças. Muitas vezes estamos nos esforçando sobremaneira para alcançar algum patamar de santidade, estamos agindo, fazendo coisas, fugindo de outras, estamos tentando ser aceitos por Deus pela força de nosso próprio braço. A santificação não é assim. A santificação não é o ato de sair fazendo um mundo de coisas, mas sim, em verdade, é o ato de reconhecer que não podemos fazer nada. É a constatação diante de Deus que não podemos atingir o patamar exigido de santidade. É aceitar a cruz de Cristo. É aceitar o que Jesus, nosso Bom Salvador, fez por nós na cruz, o que suportou e de como se esvaziou para que pudéssemos crucificá-lo.

Jesus Cristo é a nossa santificação. Antes de sair correndo tentando ser o que não temos condições de ser, precisamos confessar a Jesus que sem Ele, sem o Seu agir, sem o mover do Senhor Espírito Santo sobre nós, jamais conseguiremos ser o que devemos ser e agradar a Deus. Ele é a força de nossas almas.

Corramos a Jesus e entreguemos a Ele nossas culpas, dores e dificuldades, porque o seu julgo é suave e o seu fardo é leve.

Este texto foi fechado ao som da poderosa canção dos moços e moças do Seryn em “Disappear”. Confere ae:

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Dorly Junior

Dorly Junior

Dorly Junior é servo de Deus. E descobriu no Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, a genuína liberdade da escravidão do próprio ego. Curte Rock'n'roll e filme de terror. Atende no Facebook. Me acha lá! =D

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