A Estupidez da Castidade

Quem pode controlar todo o fogo, a atração, a transpiração, o frio na barriga, o toque, o olhar, quando a paixão nos vem ao coração?

“Todo jovem cristão escolhe esperar e abstém-se completamente do sexo até o casamento. O jovem cristão não faz sexo fora do casamento”. HA! Claro, em algum universo paralelo bem distante do nosso. No nosso universo, as coisas são, digamos, levemente diferentes, porque o jovem cristão, digamos outra vez, em sua maior parte, não possui nem a convicção e nem a força para resistir as paixões da carne.

Por qual motivo deixaríamos de fazer sexo fora do casamento? Por que não faríamos sexo com nossas namoradas e namorados ou com nossos ficantes por aí? Por que? Sabemos de verdade o porquê? Seria por ser apenas errado? Seria por uma proibição de nossos pais? De nossa igreja? De nossa religião? Se sabemos que é errado e deixamos de praticar apenas por conta de uma proibição, deixamos pelo motivo errado e, talvez, com a motivação errada. E qual é o problema? O problema é que o certo e errado passam por sua moral e sua moral é a coisa mais fraca, inútil e decadente que existe. Não há força na moral. Não há força numa proibição burra. Se nós não transamos com nossos namorados ou namoradas simplesmente porque é proibido, sob a sombra do medo, muito certamente estamos fundamentando nossa força no vácuo e quando formos tentados (e como seremos!) cederemos.

E quem é que pode resistir toda a tensão sexual existente em um relacionamento natural entre o homem e a mulher? Quem pode controlar todo o fogo, a atração, a transpiração, o frio na barriga, o toque, o olhar, quando a paixão nos vem ao coração? É praticamente impossível. Alguém dirá: “não sinto nenhuma tensão sexual junto de meu namorado ou namorada, somos crentes, vamos até o casamento em castidade tranquilamente”. Como pode? Uma coisa é se portar diante da sociedade hipócrita como dois castos convictos, outra coisa bem diferente é, estando sós, em qualquer ocasião que for, não se atracar em uma dança alucinada rumo ao sexo. Bem, se não há nenhuma faísca, uma atração mais forte que leve desesperadamente ao sexo, então podemos considerar  que este relacionamento é simplesmente muito chato.

Assim sendo, por que e como vamos resistir a uma força praticamente irresistível? Por que e como vamos sossegar a paixão de nossos corpos até estarmos debaixo da bênção de Deus dentro do casamento? Qual é nossa verdadeira motivação? Logo veremos que tanto o porquê e o como tem como solução a mesma coisa, mas primeiro precisamos fazer algumas considerações.

A castidade não é um prêmio. Há crentes por aí que tratam a manutenção da castidade até o casamento como sendo uma grande e magnífica conquista. Enchem seus pulmões, fazem seus olhos brilharem e praticamente batem em seus peitos todos orgulhos de si e dizem: “casei virgem!”. Nossa, uau, que grande bosta. Não há nada de especial no fato de se casar virgem, casar virgem não significa absolutamente nada, porque mais importante que a castidade do corpo é a castidade do coração. Aliás, melhor seria se ninguém casasse virgem, porque seria menos uma coisa para jogar na cara do Senhor Jesus quando as coisas desandarem em nossas vidas. Imagine uma moça crente que está convicta de sua obrigação de manter sua castidade e guardar seu corpo para seu marido. Imagine que a duras penas, em imensa dificuldade, ela consiga se manter virgem até o casamento. Casada, ela entrega-se ao seu marido, descobre que o sexo é a melhor coisa do mundo e passa a desfrutar desta magnífica paixão debaixo da bendita graça do Senhor Jesus em paz. Porém, em vindo o desandar do relacionamento, cheia de si mesma, contende com o Senhor dizendo: “Foi para isso que eu casei virgem? Para passar pelo que estou passando? Para enfrentar o que estou enfrentando? Senhor Jesus, não estou te entendendo. Eu não fiz conforme o combinado? Que roubada é essa?” E Jesus dirá: “Eu to ligado. A vida tem dessas coisas. Mas diga-me, por que foi que você casou virgem mesmo?” Com esta motivação e ideia, é melhor que não se case virgem.

O que que eu estou te dizendo? Que você não deve casar virgem? De modo nenhum! O que estou te dizendo é pura e simplesmente que você deve efetivamente saber o porquê de casar virgem ou de abster-se do sexo até o casamento. Estou te dizendo para fazer sexo apenas no casamento pela motivação certa, porque sem ela não vale a pena. A castidade sem a motivação certa não passa de uma grande estupidez.

Na primeira carta aos Coríntios, Paulo discorre sobre várias questões envolvendo a imoralidade sexual presente na igreja de Corinto. Havia casos nesta igreja de cristãos que estavam racionalizando os pecados envolvendo a imoralidade sexual abusando da graça de Jesus Cristo para justificar a poligamia, a homossexualidade, a prostituição e toda forma de torpeza. Estavam criando e vivendo com uma licença para pecar posto que estavam agora debaixo da graça de Jesus. Além de responder e repreender todas estas questões, também Paulo fala sobre as vantagens do casamento e do celibato. Paulo era um peculiar defensor do celibato e contra o casamento, apesar de não ousar dizer que é maldição, praticamente tratava como se fosse. Antes de sair massacrando os argumentos de Paulo contra o casamento, precisamos entender que o contexto e a expectativa dele, e de basicamente toda a igreja primitiva, era de que Jesus Cristo, nosso Senhor, voltaria dali uns dois anos, talvez cinco, no máximo, dez. Ou seja, para ele a volta do Senhor Jesus era iminente e não valeria a pena de forma alguma gastar tempo com casamento ou coisas terrenas, importava era pregar o evangelho do Senhor e esperar pelo seu tão breve retorno. Sabedores disso, podemos desprezar sua preferência pelo celibato e, sem sombras de dúvidas, nos apegarmos ao projeto original de Deus na constituição da família. A menos que Deus tenha nos dado o dom do celibato e nos tenha chamado para distinta obra, como fez com o próprio Paulo (porque é muito fácil preferir e recomendar o celibato quando se tem o dom), daí fique a vontade para ser casto pelo resto da vida. Caso contrário, não seja um tolo.

Nesta carta de Paulo entendemos que o sexo fora do casamento está classificado como imoralidade sexual, um pecado contra o corpo de Jesus, que somos nós mesmos. Nosso Senhor Jesus Cristo, através de Paulo, defende que o casamento é a única forma provida pelo Senhor Deus para purificar e abençoar toda a expressão sexual do ser humano. Toda expressão sexual fora da casamento é imoralidade tal que é como se uníssemos o corpo do Senhor Jesus Cristo a uma prostituta e fizéssemos dele um só com ela. Mas não quero aqui discorrer sobre o peso da transgressão, este pouco importa, importa é discorrer sobre o peso da graça de Jesus a todo aquele que arrependido está.

O sexo fora do casamento não é o fim do mundo. Não podemos ser hipócritas infantilizados ao sequer considerar que o pecado sexual é pior do que qualquer outro enquanto transgressão. Classificar pecados entre grande ou pequeno, leve ou grave, é uma estupidez que sequer tem nome. Porém, o peso das consequências deste pecado são bem maiores do que de “uma mentira inocente”, por exemplo. Talvez uma doença sexualmente transmissível ou um filho fora de tempo. E há quem considere o seguinte: “Bom, bem que namoro a muitos anos e este moço ou moça é a pessoa com quem quero casar, então, se já vou casar com esta pessoa, posso transar”. Ou: “Se bem que noivei e daqui poucos anos me caso, é certo que posso transar”. Não é magnífica a capacidade do ser humano em ser engenhosamente corrupto e maligno? Ainda é imoralidade sexual, ainda é pecado e ainda é estar fora da bênção e aprovação de Deus. Se fizermos do sexo fora do casamento uma prática em nossos relacionamentos, e sendo verdadeiramente filhos de Deus lavados no amor do Senhor Jesus Cristo, nosso Senhor, apesar de muito bom na hora, posteriormente seremos massacrados pela vergonha, pelo remorso, pela culpa e pela a angústia de tal forma que aquilo que era aprazível se tornará em terrível agonia. E não é assim para qualquer pecado praticado pelos filhos de Deus em Jesus? O pecado sexual é como qualquer outro pecado e deve ser evitado, mas se não puder, como qualquer outro pecado, deve ser confessado ao Senhor Jesus. Jamais devemos dar lugar a culpa e a vergonha, é certo que Jesus nos ama e nos salvará de nossa transgressão e porá fim em toda nossa dor. Porque Ele é bom e maravilhosa é a sua graça.

A única forma de resistir a intensa necessidade sexual em um relacionamento até o casamento é por meio do amor. Do amor ao companheiro ou companheira? Não. Do amor aos pais? Não. Do amor a igreja? Certamente não. Do amor a religião? Absolutamente não. Falo do amor de Deus expresso em Jesus Cristo nosso Senhor. Este é, em verdade, o porque e o como não praticar o sexo fora do casamento. É por este amor imenso, profundo e tão poderoso que vamos nos submeter a espera, em dificuldade sim, mas em paz. Porque todo mandamento do Senhor, além de prezar pelo zelo do caráter santíssimo do Senhor Deus, também é amor para nós ao nos poupar das terríveis consequências de nossa natureza cruel e implacavelmente tirana maligna. E o amor ao Senhor Jesus é verdadeiramente a motivação certa para deixarmos de praticar, não só o sexo fora do casamento, mas toda forma de maldade. Não escolhemos esperar porque nossa estúpida religião nos proíbe ou porque nossos pais controladores nos proíbem ou por qualquer outra coisa que venha puramente dos homens. Nenhuma dessas coisas tem forças para nos impulsionar rumo a obediência sincera. Somente pelo amor de Jesus manifestado em sua graça, numa transformação de constituição interna, numa transformação de cultura, numa transformação de mente e de viver é capaz de nos conduzir a obediência ao Senhor Deus. Toda imposição meramente humana está fadada ao mortal fracasso.

Portanto, o sexo fora do casamento é um pecado de imoralidade sexual, porque a única forma aprovada por Deus para que o homem expresse sua sexualidade em plena paz e debaixo da bênção do Senhor é por meio do casamento entre o homem e mulher. Também casar virgem e nada são a mesma coisa. Pouco importa se vamos casar virgens ou não, importa é que nosso coração seja sinceramente fiel a Deus por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor, por meio de uma conversão sincera de espírito. Se casarmos virgens, bom, se não, bom também. Não há nada mais irrelevante que este assunto. E se discordarmos, teremos de constatar que muito provavelmente nós somos uns hipócritas religiosos insensíveis apegados a questões religiosas infrutíferas e mortas.

Apesar das consequências do sexo fora do casamento serem grandes, isso não faz com que ele seja mais grave do que qualquer outro pecado, por isso não podemos deixar que a culpa e a vergonha nos impeçam de nos aproximarmos de Jesus. Nem a culpa e nem a hipocrisia de alguns crentes por aí ao julgar mal alguém que transou fora do casamento ou engravidou inesperadamente.

E a motivação pela qual devemos esperar o casamento para transar é o amor de Jesus. Somente por meio do amor de Jesus Cristo é que podemos ter forças para resistir ao fluxo de maldade deste mundo, somente por ele não praticaremos o sexo fora do casamento, somente por ele obedeceremos ao Senhor Deus em sinceridade de coração e em convicção de mente. Este amor somente frutifica quando temos um encontro com o Senhor Jesus, quando buscamos reconhecer nossos pecados diante do Senhor, quando nos arrependemos de nossa maldade e nos submetemos ao amor de nosso amado Pai, nosso Deus Fiel. Não há uma opressão por parte de Deus. Deus é paz. Voltemos ao Senhor em sinceridade de espírito e busquemos a reconciliação em Jesus Cristo, nosso Senhor.

Sem Jesus, sem um coração convertido a Deus, todo esforço para obedecer a Deus será como uma imposição sem amor fadada ao fracasso. E pelo amor de Jesus é que temos a plena capacidade de obedecer a Deus em verdade, neste amor somos verdadeiramente livres.

Obedecer a Deus pelo sincero amor é a liberdade que nossas almas tanto anseiam.

Este texto foi fechado ao som super irado de “I am a Temple”  de John Mark McMillian. Conhece o cara ae.

I Am a Temple:

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Dorly Junior

Dorly Junior

Dorly Junior é servo de Deus. E descobriu no Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, a genuína liberdade da escravidão do próprio ego. Curte Rock'n'roll e filme de terror. Atende no Facebook. Me acha lá! =D

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