Amor e Casamento

O amor presente no mundo é apenas egoísmo disfarçado. Somente pelo conhecimento de Jesus é que se conhece o amor.

O “amor” que sentimos uns pelos outros enquanto casais, homem e mulher, será mesmo amor? Acaso sabemos de fato o que é o amor e o significado de amar? Sem Jesus não há amor sincero e o que vemos e experimentamos fora do amor do Senhor Deus não é amor. É puro e simples egoísmo. Sem Jesus não sabemos amar.

Digamos que todo relacionamento possui um mesmo ciclo de vida com três fases distintas: a paixão, a estabilidade e a ruína. Na paixão há um encantamento irresistível, como um rio que corre de dentro do coração e te leva consigo por suas torrentes tranquilas. Só se quer deixar levar, nada mais. As conversas são infinitas, as distâncias são tão pequenas, a disposição é implacável, os beijos são longos, as declarações são sinceras do mais íntimo, o estar junto, a atração, é uma brasa ardente quase que incontrolável. Um toque bom de sentir, um sussurro gostoso de pronunciar e uma vista de contemplação e beleza interminável. As amizades são deixadas de lado, as obrigações são colocadas em modo de espera, a rotina recebe uma guinada completa e tudo o que se quer fazer é estar junto da pessoa desejada. A paixão é um fogo abrasador.

Imediatamente após a paixão passar, entra-se na fase da estabilidade. Volta-se para as amizades, volta-se para as obrigações, toda distância é muita, a disposição é disputada com outras atividades e a presença é por costume. É nesta fase também que as máscaras costumam cair e as pessoas passam a se conhecer como realmente são, daí surgem os primeiros desentendimentos, as brigas, os momentos sem se falar, as intrigas e as reconciliações. Geralmente é nesta fase que o relacionamento passa a caminhar para o casamento (há quem case no embalo da paixão) e o pensamento é na constituição da família, na estabilidade financeira, na realização dos sonhos em comum e no futuro da vida a dois.

O relacionamento pode permanecer na estabilidade por toda a vida ou pode caminhar para a terceira fase: a ruína. Um relacionamento na ruína é uma tortura diária. As brigas, as discussões, os desentendimentos, a insatisfação, as intrigas e todas as formas de distensão atingiram um nível tão elevado que é como se suas forças fossem drenadas apenas por um olhar mal dado, por uma fala mal colocada. O ar é denso e todo o contato quer ser evitado, porque o fogo desta fase é um fogo destruidor de amargura e desprezo. Por medo, por conveniência ou por comodidade o relacionamento permanece, não em um reino de amor, mas de contenda, indiferença, desrespeito e abuso.

Se podemos considerar que todo relacionamento, da paixão à ruína, em nosso estado de pecado, foi feito para acabar, como escaparemos nós de tamanha tristeza? Viveremos de paixão em paixão buscando uma satisfação egoísta? Mascararemos nossa infelicidade para mostrar um relacionamento/casamento perfeito? Permaneceremos sozinhos por toda a vida? Longe de qualquer uma destas bobagens! O Senhor não fez o casamento para ser um fardo, mas, sim, uma alegria. E para desfrutar desta imensurável alegria, precisamos saber o que significa estar casado e admitir os desafios que se seguirão a ele.

O casamento não é uma vaidade. Não devemos pensar em casar só porque nossos amigos mais próximos estão se casando, ou porque estamos ficando velhos, ou porque nosso relacionamento já dura anos e já está passando da hora. Não devemos nos casar pensando apenas na festa, nas roupas, nos enfeites, nos convidados, no lugar da cerimônia, no book de fotos ou por qualquer outra vaidade. Não devemos casar apenas porque alguma destrambelhada ou destrambelhado diz que é preciso, como uma obrigação, casar por casar. Não devemos nos casar por conta de uma carência, por conta de uma inveja, por um sentimento consumista de ser satisfeito ou por conta de qualquer outro sentimento que possa surgir. Não devemos nos casar apenas porque encontramos “o amor de nossa vida”, achando que fulano ou fulana nos fará feliz. Não fará. Nunca fará. Se colocarmos nossas esperanças em homens ou mulheres, só desapontamento e angústia encontraremos. Nada mais.

Devemos nos casar quando encontramos um parceiro ou parceira para a vida toda. Uma vida a dois. Um amigo, uma amiga para curtir os dias, para vencer as lutas deste mundo, para compartilhar as alegrias, suportar as tristezas, dividir os sonhos, alguém para contar, alguém para cuidar e ser cuidado, alguém para construir uma vida, uma história, alguém para se tornar um, alguém que tenha amor sincero, amor maior do mundo, o amor de Jesus no coração. Precisamos mais do que apenas saber que só Jesus pode nos satisfazer a alma, precisamos experimentar isso na pele e não aplicar esta expectativa no outro, porque grande parte das intrigas em um relacionamento tem sua origem em nossa incapacidade de deixarmos de ser egoístas.

Queremos um parceiro que sirva as nossas necessidades, que faça e adivinhe nossa vontade, que ande conforme nossos padrões e expectativas, queremos um escravo domesticado que satisfaça nosso coração. E é nesta insatisfação que todos os males comuns de relacionamentos surgem. Em verdade, naturalmente, não sabemos amar e nem entendemos o que é o amor. O que dizemos ser “amor” na verdade é egoísmo que frutifica ciúmes horrendos, violências em suas várias formas, submissão doentia, invejas, contendas e toda forma de mal que cansamos de observar nos relacionamentos (já fora da paixão) que nos cercam. O amor é graça. E todo aquele que está fora de Jesus Cristo não sabe amar, não sabe o que é amor, pois é preciso conhecer e experimentar o amor infindável e superabundante do Senhor Deus em Jesus Cristo, nosso amado Salvador, para saber o que é o amor de verdade. Sem Jesus não há amor verdadeiro. Quem não tem a Cristo, não ama, mas vive ocupado tentando tapar o abismo de insatisfação que está alojado em seu coração por meio de seu egoísmo.

E mesmo encontrando alguém que tenha temor do Senhor no coração, tenha esperança no viver e ame ao Senhor acima de todas as muitas outras coisas, que conheça o caminho verdadeiro do amor, que saiba amar, ainda há um caminho complexo e repleto de desentendimentos e falhas pela frente. É comum encontrar casais que depois de passar por problemas severos em seus relacionamentos buscaram cursos ou aconselhamentos especializados em como levar a vida a dois bem. Melhor do que um recurso final para salvar um casamento seria se esse curso fosse feito antes do casamento, porque naturalmente não sabemos viver em comunhão e precisamos ser ensinados. Todos os dias devemos escolher trilhar o caminho da reconciliação, do perdão, do entendimento e do amor espelhando-nos no amor de Jesus e sendo sustentados por ele. Devemos escolher dia a dia vencer nosso ego cruel.

Uma vez casados, os problemas não param por aí. Haverá um momento em nossa jornada a dois que nós olharemos para nosso companheiro ou companheira e diremos: como foi que eu escolhi casar com você? Por que eu fiz uma besteira dessas? Onde eu estava com a cabeça? Embalado por este sentimento virá também o desejo pela traição. Alguém dirá: “jamais trairei minha esposa ou meu esposo”. Bobagem. O que nos falta ou é a oportunidade ou a coragem. De qualquer forma, em pensamento, pode ser uma rotina trair nosso companheiro ou companheira. Não podemos pensar que uma forte intimidade com o Senhor Jesus nos blindará contra esta tragédia, pois não irá. Se fosse, não teríamos casos de pastores brilhantes e homens de Deus se entregando a paixões com jovens e adolescentes por aí, teríamos? Não teríamos mulheres irrepreensíveis, filhas do Deus Altíssimo, casadas e mães, cultivando relacionamentos com outros homens por aí, teríamos? Não sejamos ingênuos a este ponto. Davi possuía uma forte intimidade com Deus, porém isso não o impediu de adulterar com Bate-Seba e assassinar seu marido. Tão certo como o Senhor vive, a tentação e a oportunidade virá. A única incerteza está em saber qual será a reação do tentado: se cede ou se prevalece. Não devemos ceder. Mesmo que sejamos agarrados por este laço, precisamos fugir desesperadamente como José fugiu da mulher de Potifar, porque o fim é angústia e tristeza absoluta.

Consideremos isto: na vida a dois passaremos por dificuldades severas, por problemas diversos, e haverão momentos e oportunidades de arruinarmos nossos relacionamentos e toda nossa história juntos, contudo, Jesus é nossa esperança maior e se nos apegarmos a Ele, e aprendermos Dele, e se nossos olhos e coração estiverem firmados em Deus, e se nos submetermos a boa vontade de nosso Senhor, se dispusermos nossos corações para amar assim como Jesus nos ama, ama a sua igreja, então prevaleceremos de graça em graça, de fé em fé, em um relacionamento longe de ser perfeito, mas que está apegado ao amor de Jesus e nele é regenerado dia a dia, todos os dias, até cumprir-se o nosso tempo neste mundo. E veremos os frutos deste amor em nossa família e em nossos descendentes para glória de Deus pela graça de Jesus Cristo, nosso Rei e Redentor.

Portanto, em nosso estado natural de completo pecado e depravação nenhum relacionamento foi feito para durar, nenhum casamento pode ser sustentado em verdadeiro amor, todos, desde seu princípio, caminham para o fim sendo meramente uma questão de tempo. Também naturalmente não sabemos amar e tampouco o que é amor em verdade. O que podemos expressar é apenas uma variação de egoísmo numa busca desesperada por satisfação, por alegria e por felicidade duradoura oprimindo nosso próximo tentando extrair dele o que ele não tem. E quando não mais podemos, partimos para um próximo relacionamento, dentro ou já fora do casamento, dando continuidade a nossa busca sem fim.

No entanto, uma vez resgatados pelo amor verdadeiro de Jesus, somos capacitados a amar com amor que não tem fim. Apesar de muitas falhas e faltas na vida a dois dentro do casamento, sendo satisfeitos na esperança em Cristo, na salvação de nosso Deus, em dependência da graça do Senhor, podemos escolher dia a dia permanecer no amor um do outro forjando, assim, uma linda história de dois que se tornaram um e que como um se fazem dois, completos em Cristo para a glória de Deus a expressar amor verdadeiro e sincero. Amor que não tem outro igual. Amor que não tem fim.

Jesus precisa ser o princípio, o meio e o fim de qualquer relacionamento, pois sem Ele nunca haverá de fato amor.

Este texto foi fechado pela voz hipnotizante, pela letra cheia de amor e pelo som psicodélico do pessoal do “Isla Vista Worship” em “Dacing on the Moon”. Ouve ae.

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Dorly Junior

Dorly Junior

Dorly Junior é servo de Deus. E descobriu no Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, a genuína liberdade da escravidão do próprio ego. Curte Rock'n'roll e filme de terror. Atende no Facebook. Me acha lá! =D

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