Sou eu uma fraude?

O que há por de trás de sua máscara?

Ultimamente tenho colocado muitos pensamentos sobre o meu relacionamento com o Senhor Jesus e as verdadeiras e sinceras motivações por de trás dele. Amo o Senhor de fato? Meu coração está realmente firmado em sua presença? Minhas ações são verdadeiras ou estão inundadas de segundas intenções? Quero mesmo ser dependente do Senhor Deus ou só quero amarrá-lo a minha própria vontade? É Ele suficiente a mim? Sua graça me basta? Será? O que a minha boca tem dito e meu entendimento tem entendido é realmente o que meu coração tem expressado? Porque, não só para mim, mas para muitos cristãos por aí, satanás tem tido nas mãos mais coisas desejáveis do que o próprio Senhor Jesus tem nas dele. Onde está o seu coração?

Meu maior, mais cruel, implacável, articulado, preciso e até satânico crítico, sou eu mesmo. E na severidade da argumentação do meu pensamento, no profundo conflito da minha alma, fui levado a considerar todos os desígnios do meu coração, a fundamentação da minha fé e minhas verdadeiras e reais intenções para com o Senhor Jesus. Em crise, cheguei a conclusão de que não passo de uma fraude, meu amor por Jesus é egoísta, meu pecado original, que é a independência de Deus, é latente e esforço-me sobremaneira para conformar o Senhor a minha própria vontade. Estou bem enquanto concordo com as coisas que o Senhor faz, mas quando Ele deixa de fazer, eu deliberadamente o critico, condeno suas ações e busco chamá-lo à razão. E por breves (que pareceram eternos) momentos não conseguia mais confiar em Jesus. Perceba bem, eu poderia escrever teses, e livros, e teologias inteiras com sobras de argumentos de que o Senhor Jesus é fiel e digno de toda confiança, porém meu quebrado coração, em sinceridade, não podia mais contar com Jesus. E não confiar em Deus é como não viver, porque Ele é a rocha motivadora da vida, Nele sonhos são formados, a felicidade é firmada, Nele há razão de vida e sem Ele nada do que há importa. E depois de disparar severas críticas, e reclamações, desde o seu irritante silêncio até a sua aparente indiferença, pensei que Jesus responderia como respondeu a Jó e pensei: agora Ele fará de mim pó.

Mas havia mais coisas a serem ditas do profundo do meu coração. E prossegui desnudando as minhas intenções diante de Deus. Disse que apesar de meu entendimento me ensinar das coisas do alto, minhas ações na terra e as inclinações da minha carne me levavam para a independência Dele. Meu trabalho me levava a busca por dinheiro apenas, rumo a uma vida melhor, de viagens, de vaidades, de poderes e o reino dos céus que fiquem nos céus. Disse sobre minha incapacidade de amar a Deus e ao próximo sem que seja uma imposição de uma doutrina morta de gente morta, sem que seja uma obrigação, sem que seja apenas por um bom costume mentiroso, fajuto e falso, sem ser como um filho que quer tomar as coisas do Pai e reinar sobre elas. Onde estariam meu sentimentos honestos para com Deus e meu amor? Coloquei em cheque as minhas ações morais e a motivação de cumpri-las. Disse a Jesus que Ele é um indiferente. Como pode observar o descarrilar da minha vida sem fazer nada? Como pode deixar-me andar com os meus próprios pés na minha tortuosa independência Dele? Quando no ardente desejo da minha alma anseio por Ele dia atrás de dia, mas isso não impede minha vida hipócrita e arrogante de florescer meus maus desígnios. O que quero não faço, mas o que detesto faço. E eu disse: Senhor Jesus, eu sou uma fraude, não confio no Senhor em sinceridade, a minha vida quero tomá-la para mim, os meus desejos levam-me para a morte, sou incapaz de mudar meu coração, e enquanto não houver um ardor na minha alma e a confiança no nome do Senhor, enquanto não puder confiar em Ti, enquanto meu coração estiver aqui nessa morte de mundo e não na eternidade, e enquanto o Teu reino não estiver impresso em fogo no meu espírito, serei apenas um desperdício de vida.

E quando achei que tinha dito grandes novidades ao Senhor Jesus e que Ele me responderia com um fogo consumidor, no ápice das tormentas da minha confusão, a brisa suave de suas palavras cessaram os ventos fortes do meu desassossego e me trouxeram um simples: Eu sei. E qual profundidade de seus desígnios que Eu não os conheça de todo? E qual estrutura e fundamento do seu interior que não me é conhecido desde a eternidade? Acaso meus olhos não veem todos os seus maus caminhos e Meu Espírito não está a converte-los em bem? E não é o Meu amor verdadeiro e fiel independente de todo mal do homem? Filho meu, fique em paz, porque o Meu sangue pelo Meu amor o cobre e a multidão das suas transgressões não existem mais. Eu sei dos seus passos frágeis, eu conheço os desejos verdadeiros da sua alma e Eu caminho contigo. Desde o princípio te amei e te amarei até o verdadeiro fim. A minha mão te segura bem firme e não vai largar. Juntos por todo o caminho voltaremos para Casa. Fique em paz.

E em paz eu fiquei. Agora o que eu quero dizer com isto tudo? Quero dizer que você precisa reconhecer sua miséria diante de Deus, confessar suas incapacidade de permanecer Nele, que deve abandonar a hipocrisia das suas ações, abandonar a sua vida dupla, as suas máscaras e reconhecer que, talvez, seu amor por Jesus seja falso, mentiroso, egoísta regado por segundas intenções, que seja uma amor legalista que sempre está a espera de algo em troca e que quando esse algo não vem, você desgosta-se de Deus, contende com Ele. De que talvez você não confia Nele como pensa que confia. E não estamos falando de quantas vezes você lê a Bíblia, quantas vezes você ora por dia, ou quantas literaturas cristãs você lê ou em quantas reuniões da sua igreja você vai, não se trata da bobagem da contagem destas ações, mas sim de onde está o seu coração.

Onde está o seu coração? Na eternidade? No reino de Jesus? Em amar o próximo? Na pregação do amor de Jesus nesta terra de aflições e de aflitos? O que move suas ações? Você pode admirar as Palavras de Jesus, você pode intelectualmente tomá-lo como Salvador, você pode reconhecê-lo como Deus e dizer que Ele reina sobre sua vida e que a fé salvadora te alcançou, mas como pode esta fé, esta profissão, não, ao menos, transformar sua mente para as coisas do alto? “Mas querer ter uma vida boa não é pecado, querer crescer, ganhar dinheiro, constituir família e tudo mais”. Ora, cesse essa tua hipocrisia. Seu labor te consome, seu egoísmo te domina e ainda diz: não há pecado? Busquemos o Reino dos Céus primeiro, reconheça urgentemente sua indiferença para com  Jesus e sua falta de amor para com Deus, reconheça que está doente, pare de fingir que é são, deixe Jesus soprar sobre suas feridas, deixa Ele te sarar. Enquanto você achar que está tudo muito bem com sua vida espiritual, só porque você é moralmente justo, vai aos cultos e faz ações sociais, mas sem ter a Eternidade no coração, a mente de Jesus Cristo impressa no profundo do seu espírito, enquanto isso prevalecer, você será incapaz de reconhecer-se miserável e não poderá ser curado. Você não pode passar uma vida achando que está salvo, você precisa ter certeza de que está e experimentar desta salvação todos os dias da sua vida, porque se a eternidade não arde em seu espírito, não pulsa em seu coração e não está presente nos seus pensamentos e ações, então é uma evidente demonstração de que você ainda não teve um encontro com Jesus. De que você não se arrependeu, de que você não aceitou Jesus, de que você não está salvo, de que você ainda não foi eleito (se é que você ainda crê na triste e horrível ideia de predestinação). Você não deve passar pela vida sem considerar isto.

Portanto, se colocarmos nossas vidas diante de Deus certamente seremos achados em falta, se nos aproximarmos de Deus confiados em nosso comportamento ou em nossas próprias vidas, seremos de todo reprovados. Porém, se colocarmos Jesus diante de nós, como Ele sempre está, então seremos considerados justos e filhos do Senhor Deus e sua paz prevalecerá sobre nós mesmo nos momentos de angústia, de desapontamento, de acusações do inferno e de toda frustração. E não podemos chegar a isto sem antes ter uma profunda confissão de nossa miséria, porque isto não é novidade para Jesus, mas para muitos de nós é, porque confiamos nas obras das nossas mãos, na justiça de nossos atos e queremos alcançar a graça de Deus baseado naquilo que fazemos por nós mesmos. Não é assim. Confesse ao Senhor Jesus que talvez seu coração não esteja na eternidade e que tudo que você queira esteja aqui nesta terra. Cesse a hipocrisia, cesse a dupla face, cesse as mentiras que você conta a si mesmo, cesse a justiça própria, cesse seu ego. Voltemos a Jesus em contrição, Ele vai nos sarar e nos encaminhar para o bem de Sua perfeita vontade. Arrepende-te em verdade.

Não somos uma fraude e nem nosso amor é falso, porque o amor de Jesus não é falso. O amor de Jesus é verdadeiro e fiel e, por este amor, o nosso amor pelo Senhor também é fiel e verdadeiro. Somos filhos do amor de Deus que está em Jesus e a maior prova disso, de que nosso amor é verdadeiro, é a nossa contrição e nossa mente e coração firmados na eternidade. Assim sabemos que somos Dele e Ele nosso para todo o sempre para a glória eterna de Deus. A Jesus, nosso verdadeiro bem, o amor de nossas almas, o fim de nossa miséria e o princípio de nossa felicidade, a Ele a honra, todo louvor e toda a glória para todo o sempre. Amém.

Este texto foi fechado ao som da poderosa letra e das guitarras arrasadoras de “God, Be Merciful to Me (Deus tenha misericórdia de mim)”  do “The Rock Music”.

Confere ae.

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Dorly Junior

Dorly Junior

Dorly Junior é servo de Deus. E descobriu no Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, a genuína liberdade da escravidão do próprio ego. Curte Rock'n'roll e filme de terror. Atende no Facebook. Me acha lá! =D

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1 Resultado

  1. César disse:

    Inspirado. Me ajudou a clarear por dentro. Publiquei no facebook pra meus contatos copiando e colando, com autoria identificada. Grande abraço.

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