A justificação personalizada

A verdadeira justificação vem pela fé no Poderoso Leão da tribo de Judá, o Senhor Jesus Cristo, nosso Deus.

Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim. Gálatas 2:20

Há uma sutil visão por parte do mundo que apresenta o cristão como alguém superior, alguém sempre justo, sem pecado, quase santo. Apresenta a igreja como casa de santos, de pessoas sem fraquezas e sem pecado, também apresenta o caminho para a justiça de Deus como sendo um caminho duro, um caminho tortuoso, um caminho cheio de exigências e que só os melhores se dão por ele. Bem, é uma visão que não conseguiria ser mais errada. A casa de nosso Maravilhoso Deus não é uma casa de santos ou de justos, mas é uma casa de horrivelmente doentes.

O sistema maligno do mundo, com grande astúcia, exige da igreja de Jesus Cristo, nosso Deus, uma espécie de perfeição. Este sistema espera encontrar dentro das igrejas pessoas santas, que não erram, que não mentem, que não cometem pecados, espera encontrar pessoas infalíveis e irrepreensíveis. Esta exigência mentirosa cria nas pessoas do mundo uma visão errada de que vida com Deus é um processo seletivo extremamente rígido, de que é preciso, primeiro, alcançar um alto nível de espiritualidade e retidão para, enfim, se aproximar de Deus. Isto é uma estratégia satânica para afastar as pessoas de um encontro com Deus, porque, acusados pela nossa própria consciência, percebemos que somos desesperadamente pecadores, terrivelmente corruptos, impossibilitados desde o berço de convivermos com nosso Maravilhoso Deus, incapazes de atingir o padrão de perfeição e justiça que Deus, o Senhor, requer. Ora, Deus, nosso Pai, sabe dessa impossibilidade e por isso Jesus Cristo, nosso Salvador, venceu a morte e pagou todo o preço por nós, porém, existem cristãos que, aparentemente, não percebem esta realidade bem.

Enganoso é o coração, mais que todas as cousas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? – Jeremias 17:9

Se por um lado o sistema maligno exige do cristão e da igreja uma perfeição inalcançável por méritos próprios com a finalidade de criar um alto muro separando as pessoas de Deus, do outro lado estão alguns cristãos ajudando a construir este muro ao se esforçarem, por vaidade, a apresentar uma vida aparentemente sempre justa, sem pecado, longe de qualquer fraqueza e dificuldade, uma vida perfeita aos olhos do mundo, e aos próprios olhos, por esforço próprio, por justificação própria. De maneira hipócrita e falsa, aplicam sobre si uma máscara de santidade a fim de se mostrarem aparentemente irrepreensíveis seguindo regras e normas mecanicamente, sem arrependimento, sem relacionamento com Deus. E não se trata de denominações cristãs que impõe aos seus seguidores uma série de rígidas regras, enfados sem proveito, preceitos de homens inúteis buscando apresentar-se ao mundo maligno em perfeição por justificação própria, por obras de próprio punho, não se trata disso, mas, sim, da natureza caída de nosso coração.

O nosso próprio coração tende a levar-nos a criar uma série de exigências, uma série de regras, uma série de comportamentos padrões para cumprirmos, tende a criar categorias de pecados, os perdoáveis e os imperdoáveis, tende a criar a nossa própria e personalizada regra de justificação. O nosso coração caído é legalista, ele que ser digno das bênçãos de Deus por si através do cumprimento de regras, de mandamentos, de leis por esforço, queremos pagar do nosso próprio bolso pela vida eterna com Deus. Há casos em que essa autojustificação está tão impregnada na vida dos cristãos que ao ler os relatos da Bíblia de homens e mulheres de Deus cometendo toda forma de engano e pecado, é possível que uma grande decepção aconteça, pois se espera que os grandes nomes da fé sejam irrepreensíveis, sem fraquezas e sem pecado. No entanto, os grandes homens e mulheres de Deus também eram desesperadamente corruptos. Ora, a Bíblia não tem o mínimo interesse de mascarar pecados, esconder falhas de caráter, esconder a miséria do homem caído, ela reforça em todo tempo a necessidade de salvação, a necessidade de graça e misericórdia. Esses relatos não são uma decepção, mas um tremendo alívio pelo que há grande esperança para todo pecador independente do grau de sua corrupção. É motivo de alegria e não de tristeza.

Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado. Gálatas 2:16

Jesus Cristo, nosso Deus, satisfez a justiça e a ira de Deus na cruz nos justificando diante do Senhor. Deus é quem nos justifica pela fé no poderoso nome de Jesus Cristo que limpa-nos de toda corrupção, que nos renova e nos faz nascer de novo. Crendo de todo o coração que Jesus Cristo no salvou, aceitando Jesus como único Salvador e Redentor, somos aceitos por Deus, somos justificados, somos salvos e podemos nos relacionar em amor com nosso Deus. Dessa forma, os cristãos são pessoas justificadas, e não justas em si; são pessoas aperfeiçoadas por Deus, e não perfeitas por esforço próprio; são pessoas santificadas por Deus pelo sacrifício de Cristo, e não pessoas santas por justificação própria e personalizada. Homens e mulheres de Deus são pessoas comuns que foram despertadas pelo Senhor Espírito Santo de seu triste estado de pecadores necessitados da eterna, preciosa, maravilhosa, grandiosa graça de Deus para alcançarem o bem maior da existência: o relacionamento de amor com nosso Criador, nosso Pai, nosso Salvador, nosso Protetor, nosso Companheiro, o Senhor de terra e céus, o nosso Deus.

Na verdade, uma vez justificados e salvos pelo sangue de Cristo, tudo que fazemos é obra de Deus, é feitura do Espírito Santo, é pelo caráter de Jesus Cristo em nós que amamos ao próximo, que servimos a Deus, que adoramos a Deus, que pregamos as boas novas da salvação, que fugimos da prática do mal, é por Deus e em Deus que fazemos o bem e nos esforçamos pelo caminho da justiça do Senhor, o nosso Deus. O bem que fazemos, a justiça pela qual vivemos na prática, os preceitos morais os quais obedecemos não é fruto nosso, mas é fruto do nosso relacionamento com Deus. De modo que não temos do que nos gloriar em nós mesmos, não temos do que nos orgulhar em nós, porque, de fato, nós nada somos, nada temos e nada podemos.

Analisando dessa forma, a verdadeira face do povo de Deus não é a que o mundo e satanás tentam vender: a imagem de um povo perfeito, que não sofre, que não passa por lutas, que não passa por dificuldades, que não mente, que não possui fraquezas, que não peca. É certo que não é assim. A verdadeira face do povo de Deus mostra um povo consciente de seu estado pecador, um povo que está sendo levado ao arrependimento e ao afastamento de toda forma de corrupção, sejam obras malignas, sejam sentimentos nocivos como, por exemplo, o ódio, a inveja, o orgulho e a avareza. O povo de Deus é um povo consciente de sua própria miséria, de sua rebelião, de sua justa condenação a uma eternidade sem Deus, todavia, também é um povo consciente do grande amor de Deus, de todo esforço operado pelas mãos de nosso Pai, de nosso Salvador Jesus e de nosso Senhor Espírito Santo em prover para nós reconciliação, salvação e uma eternidade de alegria e comunhão com o nosso amado, desejado e gracioso Deus.

Deus nos ama. Deus nos salvou.

Portanto, o povo de Deus não é um povo perfeito como o maligno tenta impor, também o caminho para se achegar a Deus não é composto por uma multidão de regras de justificação própria, de esforço próprio. O povo de Deus é um povo cheio de fraquezas justificado pela fé no nome do Senhor Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, consciente da sua desesperada necessidade de misericórdia e graça que é levado a um processo de santificação promovido pelo Senhor Espírito Santo que nos conforma na imagem e no caráter de Jesus Cristo. É no contínuo relacionamento com nosso amado Jesus que o povo de Deus encontra as forças para superar as dificuldades, as fraquezas, as corrupções e as falhas de caráter. É neste e por este relacionamento que servimos ao próximo, fazemos boas obras, que amamos a Deus, que adoramos ao Senhor e nos esforçamos contra o pecado. O povo de Deus é um povo fraco e doente que é feito forte e são pelo infinito amor de nosso Deus.

Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pela seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida; e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação. Romanos 5:8-11

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Dorly Junior

Dorly Junior

Dorly Junior é servo de Deus. E descobriu no Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, a genuína liberdade da escravidão do próprio ego. Curte Rock'n'roll e filme de terror. Atende no Facebook. Me acha lá! =D

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1 Resultado

  1. Ovelhinha disse:

    Não fomos criados para o pecado, mas desde a queda, lá no início na criação do mundo, entramos em uma guerra incessante contra o mal, contra a carne. O cristão, sinteticamente falando, é um ser humano que recebe, além da graça comum, a graça especial de Deus – a salvação, e que busca imitar a Jesus, apesar de ter ciência de que só será irrepreensível quando receber a salvação, apesar de que saiba que alcançar a santidade de fato, na condição de ser humano, é impossível, pois convive diariamente com a luta ferrenha entre a carne e o espírito.

    “É no contínuo relacionamento com nosso amado Jesus que o povo de Deus encontra as forças para superar as dificuldades, as fraquezas, as corrupções e as falhas de caráter.” Belíssimo texto, sr autor! Por vezes, nós mesmos como povo de Deus cometemos a falha de nos achar mais merecedores, menos falhos, mais “exclusivos”, por já conhecermos a Palavra. A gente se esquece de que são os humildes, os pobres de espírito, os misericordiosos, os pacificadores, os servos verdadeiramente fieis que herdarão os céus.

    Nos cabe viver mais a graça de Deus e levá-la a todos os confins, mostrando que, somos pecadores sim, não somos perfeitos, mas fomos remidos pelo sangue de Cristo e libertos dos laços da morte a que estávamos condenados.

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