A maturidade espiritual não vem por força

Ensina a criança o caminho em que se deve andar.

Ensina a criança no caminho em que se deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.  (Provérbios 22:6)

Vivemos num mundo mal. Um mundo destroçado pelo pecado, um sistema maligno continuamente ruim, de ideias e ideais torcidos, mentirosos, tortuosos, aprisionadores e corruptos. É nesse ambiente hostil ao Senhor Jesus Cristo que temos a difícil tarefa de criar nossos filhos, biológicos e na fé, nos bons caminhos de Deus. Talvez uma das grandes preocupações das famílias genuinamente cristãs seja o receio de ver seus filhos entregues aos prazeres deste mundo, sem compromisso verdadeiro com Deus, sem temor do Senhor, sem frutos sinceros para demonstrar a fé madura em seus corações. E até que eles atinjam, pela misericórdia de nosso Deus, a maturidade espiritual para que caminhem com as próprias pernas, temos uma árdua batalha que precisa ser lutada todos os dias com amor, diligência, temor ao Senhor, persistência, oração e alegria. Da mesma forma que os pais cuidam do crescimento físico e intelectual de seus filhos até atingirem a maioridade física, assim precisam cuidar do crescimento espiritual deles até que atinjam a maioridade espiritual. E isso pode durar a vida toda.

Em um extremo, um dos recursos usados por pais evangélicos para manter seus filhos longe das práticas do maligno é a repressão pura. Tudo não pode. Tudo não convém. Tudo é do diabo. Sufocam a criança num ambiente de rígidas, irracionais, contrárias a Bíblia, contrárias ao caráter de Deus, regras, recomendações e mandamentos. Fruto de uma religiosidade morta, fajuta, intolerante e ineficaz que acaba por criar no indivíduo uma repulsa muito grande ao verdadeiro evangelho de Jesus Cristo, nosso Deus, quando mais velho. Esse indivíduo pode viver dissolutamente longe de Deus crendo ser o evangelho de Cristo uma cadeia repressiva em vez do que de fato é: uma liberdade graciosa. Este, certamente, não é um bom caminho para alcançar a maioridade espiritual.

No outro extremo, há pais evangélicos que deixam seus filhos soltos a um alto grau de liberdade. Ensinam as sãs doutrinas, mas não repreendem os maus comportamentos. Os filhos fumam, bebem, usam drogas, fazem sexo fora do casamento, praticam a homossexualidade e outras práticas malignas, no entanto, aos domingos, à noite, eles cantam, louvam, oram ao Senhor e vivem uma vida cristã meramente nominal. A indiferença, a ignorância e a falta de interesse também não formam um bom caminho para promover a maioridade espiritual.

Certamente, antes do despertar do Senhor, as práticas deste mundo são atraentes, aparentemente agradáveis; soa bem satisfazer-se de festas, satisfazer-se com pouca ou com muita quantidade de bebidas alcoólicas, experimentar drogas, compactuar com hábitos do mundo, parece bom integrar-se ao mundo. Em verdade, tudo se resume em uma aparência de bem, uma aparência de prazer, uma aparência de satisfação, mas, de fato, não há nem sombra de satisfação. Tratam-se de cadeias terríveis de morte atraindo ondas de consequências de pecados que podem aprisionar e dificultar a caminhada cristã por toda uma vida. Por exemplo, uma gravidez fora de hora pode atrasar, dificultar ou até anular alguns sonhos e projetos; um vício em drogas pode custar anos de reabilitação e uma batalha diária contra as recaídas. Mesmo após uma conversão sincera, essas dolorosas consequências de pecados permanecem. Somente após a conversão, quando os filhos caem em si, deixando a cegueira, percebem a sabedoria do poder de Deus, o quão preciosos e maravilhosos são os ensinamentos de nosso amado Deus.

De fato, nosso Deus, por sua infinita misericórdia e graça, pelo seu insondável amor, pelo seu indescritível poder, continuamente e incansavelmente transforma todo nosso mal em bem, transforma nossas falhas em sucesso, nossas fraquezas em força, nossa inconsciência em sabedoria, tudo para a honra e glória de Seu poderoso nome e também para o nosso bem. Contudo, melhor é prevenir do que remediar, melhor é obedecer do que sacrificar. Melhor é esforçar-se para ensinar os bons caminhos do Senhor para que os nossos filhos não sofram em demasiado as terríveis consequências de pecados.

Bendito seja o Senhor que, dia a dia, leva o nosso fardo! Deus é a nossa salvação. O nosso Deus é Deus libertador; com Deus, o Senhor, está o escaparmos da morte. (Salmos 68:19-20)

Ora, se muita repressão ou muita liberdade não representam um bom caminho rumo a maioridade espiritual, o que seria um bom caminho e como seria trilhá-lo? Bem, primeiro é preciso entender o que é a maturidade espiritual e como é impossível alcança-la por esforço de homens.

A maturidade espiritual é atingida quando há o entendimento da suficiência de Deus na vida do indivíduo. Há uma conformidade promovida pelo Senhor Espírito Santo no caráter da pessoa para que alcance em Jesus Cristo, nosso Deus, um perfeito exemplo de vida. Essa maturidade leva o cristão a buscar continuamente em Deus relacionamento, leva-o a uma vida de adoração, louvor, oração, conhecimento da Palavra de Deus, serviço, amor e disposição para as coisas do Alto. Isso acontece quando há na vida do cristão, em Deus, plena satisfação e realização de modo que os mandamentos do Senhor já não parecem um peso, um retrocesso, algo custoso ou, ainda, uma perda. São, na verdade, pela preciosa Luz de nosso Senhor Jesus Cristo em nós, palavras de cuidado, de amor, de justiça, de graça e misericórdia, são palavras boas, agradáveis e perfeitas. Assim, tanto a repressão quanto o excesso de liberdade caem por terra, porque já não se segue os caminhos do Senhor por medo, por obrigação, por conveniência, mas, sim, por amor e com amor a Deus, nosso Salvador, nosso Resgatador. E os frutos dessa maturidade são percebidos pela mudança radical de postura e comportamento diante das adversidades da vida, na forma como enfrentar e ver o mundo e no próprio relacionamento com Deus.

Essa maturidade, porém, não pode ser alcançada pela força do braço de homens, pelo arrojamento de suas doutrinas, pela eloquência de seus ensinamentos, ela não vem pela qualidade do ensino, pela diligência e pelo temor de seus mestres, dos pais. A genuína maturidade espiritual vem exclusivamente pela graça de Deus, pela soberana vontade do Senhor. Ela também não vem no tempo esperado pelos pais e mestres, tampouco no formato esperado, mas vem no tempo e no formato que melhor apraz a Deus, nosso Pai. Dessa forma, um filho pode nascer num lar genuinamente evangélico, ter vasto ensinamento dos caminhos do Senhor, porém desvirtuar-se e caminhar errante nas corrupções, imoralidades e perversões da vida até que, com a graça e misericórdia de nosso Deus, seja desperto de seu triste estado, convertido ao Senhor e liberto das cadeias deste mundo. Todavia, a soberania de Deus em despertar alguém para a vida abundante no nome do Senhor Jesus Cristo não anula, de forma alguma, a responsabilidade dos pais em ensinar os bons e maravilhosos caminhos do Senhor, nosso amado Deus, no decorrer da vida do filho. É preciso doutrinar os nossos pequenos com zelo e temor a Deus.

Por isso, vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á. (Lucas 11: 9 -10)

O caminho eficaz para a maturidade espiritual de alguém passa por oração. Sem oração não há nada a se fazer. Pouco importa as estratégias, a qualidade do entendimento teológico, o conhecimento da Palavra de Deus, a diligência, a paciência e o amor. Sem oração, tudo isso é em vão e ineficaz. É preciso apresentar a vida da pessoa continuamente diante de Deus, clamando por misericórdia, por graça, pelo poder de Deus, por sabedoria, paciência, mansidão, amor e temor do Senhor. Reconhecendo que só o Senhor, nosso amado e desejado Deus, pode fazer a diferença e transformar uma vida completamente. Orando continuamente, é preciso ensinar os caminhos de nosso Deus à criança desde os primeiros passos de sua consciência para conduzi-la aos pés de Cristo. Longe da repressão néscia, é importante manter um canal de diálogo aberto e um programa de discipulado pessoal por todas as etapas do crescimento da criança apresentando Deus, o Senhor, como Ele é: um Pai amoroso, um Deus de relacionamento, gracioso, bondoso, amável, desejável, um Deus de justiça e de salvação, de redenção, mui digno de louvor e de adoração. Tudo isso em linguagem própria a idade corrente da criança. Não se pode pensar que essa é uma responsabilidade da igreja apenas, trata-se de uma responsabilidade inegável dos pais e não é bom fugir disso, melhor é firmar a fé em Deus, nosso Senhor, no nome do Senhor Jesus Cristo e enfrentar o desafio com determinação, zelo e amor.

Portanto, é a soberania de nosso Deus atuando em meio à oração, diligência, fidelidade, temor e o ensino dos caminhos do Senhor pelos pais aos filhos que leva à maturidade espiritual. Não podemos negligenciar a responsabilidade de apresentar e conduzir nossos filhos pelos bons, agradáveis e perfeitos caminhos de nosso poderoso, querido e amado Deus. Assim, sabendo que Deus é quem desperta corações, transforma vidas e promove uma mudança de caráter poderosa nas pessoas, e não a força e rigidez de nossas doutrinas, podemos descansar das densas lutas contra esse sistema maligno confiados na graça e misericórdia de nosso Senhor. Se hoje vemos nossos filhos desvirtuados e longe de nosso Deus, precisarmos, sem temor, perseverar em oração, porque o nosso Deus é Deus zeloso, porque, ainda que os nossos filhos não saibam, nós sabemos em quem temos crido e em qual nome está firmada a nossa fé, no poderoso nome do Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, nosso fiel Companheiro,  e Ele resgatará nossas crianças em tempo oportuno.

E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos. (Atos 4: 12)

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Dorly Junior

Dorly Junior

Dorly Junior é servo de Deus. E descobriu no Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, a genuína liberdade da escravidão do próprio ego. Curte Rock'n'roll e filme de terror. Atende no Facebook. Me acha lá! =D

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