Suicídio: um reflexo de uma vida sem salvação?

As tempestades da vida não são maiores que nosso Deus. E isto precisa ser mais que um entendimento, precisa ser uma verdade prática.

De modo que crescer na fé é amadurecer o caráter para parecer mais com o caráter de Cristo, é pregar o evangelho de amor com as palavras de um evangelho de esperança, de salvação. A conversão genuína acaba por nos levar a praticar a fé através de dons variados que Deus, o Senhor, nos concede no decorrer da vida […]

No artigo Suicídio de um cristão: possível ou não?  foi concluído que um cristão genuinamente convertido ao Senhor, são, com todas as faculdades em ordem, é incapaz de cometer suicídio e que Deus, pela sua indiscutível fidelidade, livra-o de um suicídio inconsciente causado, por exemplo, por uma forte e profunda depressão. A conclusão, com base no caráter de Deus, o Senhor dos Senhores, revelado em sua infalível Palavra de poder, na Bíblia Sagrada, é uma só: um cristão genuinamente convertido está livre do ato de suicidar. Esta é uma forma de enxergar este denso assunto, porém há quem pregue uma horrenda, inútil e desnecessária conclusão para este mesmo tema.

Alguns pregadores tratam o suicídio de forma bastante fria, demasiadamente acadêmica, como se, em última análise, o suicídio não fosse um problema, pois o pregam como um pecado ordinário que pode tranquilamente ser perdoado por Deus na eternidade. Isto é um desserviço. Posto que como pregaremos o evangelho de esperança a um irmão profundamente deprimido se, para ele, melhor é morrer do que viver? Ora, e se uma pessoa (pais, mães e filhos e filhas) deprimida, admitindo este horrendo entendimento, optar por encontrar a saída de seu sufoco na morte em vez de em Deus visto que será perdoado no fim das contas? A estes pregadores falta-lhes profundidade ou sobra-lhes conveniência. Argumentam que na Bíblia, Palavra de Deus, não há nenhuma condenação grave, explícita, ao suicídio e nenhuma fala clara que dê para afirmar categoricamente que um cristão é incapaz de suicidar. Apoiam-se descaradamente, e comodamente, na doutrina da eleição que diz que uma vez salvo, salvo para sempre e de que nada pode nos separar do amor de Deus que está em Jesus Cristo, nosso Senhor. De forma bizarra, distorcem os efeitos da salvação, anulam os frutos de uma conversão sincera, admitem o perdão do suicídio em vez de defender, diante da clareza das Escrituras Sagradas, a forte perseverança e força dadas a um genuíno convertido que o fortalece contra cometer suicídio, o que, evidentemente, é mais confortante.

Agora, pois, quais são as causas de um suicídio? Não são muitas? Certamente são. De uma forma geral, a maioria é acometida de angústias profundas, de dores insuportáveis da alma, de um desalento muito grande e uma falta de esperança latente por conta de traumas diversos, de remorso e culpa. Todas as pessoas, crentes e não crentes, são suscetíveis a passar por muitas dificuldades na vida, a diferença entre elas é a forma de resposta a essa dificuldade. Um crente genuíno em face da tragédia busca refúgio em Deus, Nele persevera, tem paz e descansa, é promessa de Deus. Um não-crente, não. Deste modo, o que é o suicídio se não a negação de uma conversão genuína? Se não uma confirmação da falta de esperança, fé e temor do Senhor?

Na verdade, o suicídio é uma forte evidência da falta de vida com Deus e isso faz com que ele deixe de ser um pecado ordinário e perdoável, posto que, primeiro, não houve sequer uma regeneração, uma conversão, a aceitação de Cristo Jesus, nosso Deus, como Salvador e Redentor, na vida do indivíduo. Tanto o suicídio imediato quanto o suicídio em longo prazo refletem a mesma coisa: uma vida sem Deus. Dessa forma, o suicídio é o ápice da morte interior da pessoa, ou seja, a vida sem Jesus Cristo, nosso Deus. É uma duríssima verdade que tenta ser suavizada, mascarada, pelo discurso cômodo da possibilidade do perdão ao suicida massageando egos feridos pela perda de entes queridos pela prática do suicídio. Que é mais fácil? Que é mais cômodo? Admitir que o ente querido nunca conheceu a Deus e por isso matou-se, apesar de ter tido uma vida cristã aparente, ou que Deus o perdoará por tal pecado na eternidade? Bem, na verdade, nem se trata de uma questão de perdoar ou não, mas, sim, da falta de justificação pela fé no nome do Senhor Jesus Cristo, nosso Deus.

Há algumas formas de melhor enxergar esta conclusão como sendo uma verdade e não apenas um ponto de vista, acompanhe:

Pela Palavra de Deus

Como se não bastassem as passagens da Bíblia sobre homens e mulheres que passaram por inúmeras angústias, depressões e aflições de morte, porém perseveraram em seguir o Senhor e a esperar Nele em vez de desistir e matar-se, podemos destacar o livro inteiro de Jó. Jó é um grande exemplo de perseverança no Senhor. Ele teve seus familiares amados exterminados, seus bens destruídos, sua saúde destroçada e passou por momentos de um silêncio retumbante dos céus, e qual seria o reflexo de todas essas coisas na pessoa de Jó? Causaria uma depressão? Uma angústia de morte? Um sofrimento tremendo? Todas estas coisas juntas e num mesmo tempo. Contudo, em vez de tirar a própria vida, Jó permaneceu perseverante, pois era um homem regenerado, era um genuíno crente, e no seu coração estava o Senhor e todas as características que hoje temos por meio de Jesus Cristo, nosso Deus. O livro de Jó é Deus nos dizendo claramente que não importam as circunstâncias, podemos sempre perseverar no Senhor e Nele esperar livramento. Mais ainda, temos, em Deus, força abundante para enfrentar toda forma de sofrimento, basta esperar no Senhor, nosso Deus. Argumentar que o livro de Jó retrata um acontecimento específico e não se trata de um reflexo do relacionamento homem e Deus, é um desserviço ainda maior e uma falta de entendimento medonha.

Jó, sentado em cinza, tomou um caco para com ele raspar-se . Então, sua mulher lhe disse: Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre. Mas ele lhe respondeu: Falas como qualquer doida; temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal? Em tudo isso não pecou Jó com seus lábios. (Jó 2: 8-10)

Pelos frutos de uma conversão sincera

Se antes, em trevas, andávamos sem esperança, sem amor, sem perseverança, sem paz, sem nosso amado Deus, uma vez lavados, regenerados e reconciliados com o Senhor pelo sangue de nosso Salvador Jesus Cristo, passamos a ser povo renovado, povo vivificado pelo poder de Deus. Além do temor do Senhor, em nosso caráter são desenvolvidas outras evidências de uma conversão genuína como o amor pelo nosso Deus, a sede de sua presença, a busca e sucessiva entrega de nosso ser ao Senhor e a inteira disposição para amar e servir nosso próximo em toda boa obra e em prosseguir em conhecer mais do Senhor. E isto não é um peso, é uma indescritível alegria, é uma adoração sincera, um louvor diário, nosso ser é tomado por esperança, por amor, por perseverança, por paz, somos tomados por Deus. Nesta busca por Deus, por conta de uma conversão sincera, uma mudança radical promovida pelo Senhor, somos levados a confiar, esperar e perseverar no poderoso nome do nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, diante de toda forma de diversidade e angústia, certos de que nosso Senhor nos livrará, pela sua incontestável fidelidade. Isto é, genuinamente, vida com Deus.

Uma vez regenerados também somos comissionados, recebemos uma missão por parte de nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, para replicar, compartilhar e pregar a paz, a perseverança, o amor e a salvação que nos alcançou para todas as pessoas. De modo que crescer na fé é amadurecer o caráter para parecer mais com o caráter de Cristo, é pregar o evangelho de amor com as palavras de um evangelho de esperança, de salvação. A conversão genuína acaba por nos levar a praticar a fé através de dons variados que Deus, o Senhor, nos concede no decorrer da vida. Uns oram, outras intercedem, outros aconselham, outros administram, outros cantam, outros tocam, outros pregam, outros servem de várias e distintas formas. O certo que é que cada filho regenerado tem papel, tem propósito, tem missão, tem chamado para desempenhar no reino de nosso Senhor Jesus Cristo, ainda no tempo. Também é certo que passaremos por muitas tribulações, por muitas e densas dificuldades, por angústias de morte e, ainda, mais certo que todas estas coisas, nosso Deus, estará conosco firmemente, bem junto de nós, em cada e em todos estes instantes para nos vivificar o espírito. A paz, a indescritível alegria promovida por uma conversão sincera e a missão nos dada por Deus, ou seja, levar o evangelho de perseverança de Cristo Senhor aos oprimidos de nosso tempo, são, ambas, razões sobremodo excelentes para nos dar força e perseverança diante das tribulações de morte.

Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos. Isaías 57:15

A conclusão permanece uma só

Ora, a simples fala da possibilidade de um cristão genuíno cometer suicídio, já nos devia causar um transtorno, já nos devia incomodar até as entranhas, já nos devia soar errado, isso não vem de nós, mas vem do caráter de Deus em nós. O Senhor ao nos regenerar pelo sangue de Cristo, nos presenteia com o Espírito Santo de Deus que nos enche continuamente de uma esperança tão poderosa, de um amor tão grande, de uma perseverança tão presente e sincera que suicidar não nos é uma opção, desistir da vida não é uma saída, melhor é perseverar e viver na dependência do Senhor, que é fiel e nos livrará. A morte não é a saída, mas, sim, esperar no Senhor. O Espírito Santo de Deus, que habita em nós, nos leva a ter uma repulsa violentíssima contra o suicídio, tão forte e imponente, que ainda em densas aflições, perseveraremos no Senhor, porque maior é o Senhor do que o nosso pecado e Ele é fiel para nos livrar.

Portanto, os frutos de uma conversão sincera, ou seja, resumidamente, a pessoa de Jesus Cristo impressa em nós, nos impede de forma eficaz a praticar o suicídio. Além disso, os relatos da perseverança no nome do Senhor de homens e mulheres genuinamente convertidos,  presentes na Palavra de Deus, corroboram fortemente com essa conclusão. Assim, a doutrina da eleição deixa de ser uma desculpa esfarrapada para justificar o perdão ao ato de suicidar para se tornar uma forte acusadora da falta de salvação na vida do suicida. Pelo que se eleito, salvo; se salvo, convertido; se convertido, regenerado; se regenerado, moldado pelo caráter de Jesus Cristo; se moldado, apegado tenazmente à esperança e perseverança no nome do Senhor Deus, apto para esperar em nosso Senhor e Salvador e, enfim, tendo as forças renovadas, incapaz de tirar a própria vida seja qual for a terrível situação.

“Não sabes, não ouvistes que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, e nem se fatiga? Não se pode esquadrinhar o seu entendimento. Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. Os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de cansados caem, mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam. Isaías 40:28-31”

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Dorly Junior

Dorly Junior

Dorly Junior é servo de Deus. E descobriu no Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, a genuína liberdade da escravidão do próprio ego. Curte Rock'n'roll e filme de terror. Atende no Facebook. Me acha lá! =D

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1 Resultado

  1. Ovelhinha disse:

    Um cristão verdadeiro não se guia por vista, mas sim pela fé. O suicídio é totalmente antagônico a fé, dado que é o resultado da desesperança, da fraqueza da alma. É lamentável que haja tantos que encarem tal ato como “libertador”. Mais triste ainda é notar que tem sido cada vez melhor aceito na sociedade, quando o mesmo é agendado e “assistido”, por exemplo. Deus nos diz para buscá-lo de todo coração, termos bom ânimo; e através da Bíblia, nos dá exemplos de tantos que perseveraram na fé.

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