A verdadeira pregação do evangelho

A responsabilidade de pregar o evangelho foi dada a todos nós. Em nossas mãos estão as chaves do Reino de Deus.

Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque aí de mim se não pregar o evangelho! (1 Coríntios 9: 16)

Em 1 Cor 9:16 o apóstolo Paulo faz uma confissão. Ele reconhece que possui um chamado por parte de Deus para instruir muitos povos de seu tempo, ele entende o peso da responsabilidade, da missão, que o próprio Senhor lhe confiou. No final deste versículo, ele escreve um “aí” que aparentemente só se aplica a Paulo e a realidade de seu chamado. Outros podem aplicar o “ai” apenas aos pregadores que falam do evangelho, ou seja, só se aplica aos pastores, oradores, evangelistas e demais faladores do evangelho. No entanto, o “ai” dessa porção da Palavra se aplica a todos nós, todos os remidos e lavados pelo sangue de Cristo Jesus, nosso Deus. Ou seja, “Ai de nós se não pregarmos o evangelho”.

Nosso Deus, Jesus Cristo, antes de voltar para nosso Pai de amor, já havia comissionado todos os seus discípulos para pregar o evangelho a toda criatura. Essa comissão não é uma comissão local, apenas aos discípulos e apóstolos, mas é um mandamento para todas as nações das eras seguintes até o dia de hoje e além. Apesar de este mandamento ser bastante claro para todos os que o leem, pode acontecer de o sentido de pregar o evangelho ser entendido de forma equivocada. Alguns podem pensar que pregar o evangelho é separar um texto da Palavra de Deus, construir um sermão, dividi-lo em três pontos com uma conclusão e expô-lo em um culto, em uma congregação ou em uma reunião de pessoas qualquer. Outros podem pensar que pregar o evangelho é escrever sobre o evangelho, escrever livros, poesias, poemas, escrever o amor de Deus. Outros podem pensar que pregar o evangelho é cantar o evangelho, ministrar louvores a Deus seja como instrumentista ou como cantor. Outros ainda podem achar que instruir, aconselhar e falar do evangelho a outros é pregar o evangelho. Sim, estas são formas de se pregar o evangelho de Deus, porém elas dependem de dons específicos. A grande comissão de Cristo Jesus, nosso Deus, independe de dons. Na verdade, pregar o evangelho, primeiro, é viver o evangelho.

No Antigo Testamento, o Senhor separou Israel para ser seu povo escolhido, seu povo santo. Essa escolha não se deu por méritos ou por qualidades ou, ainda, por dons. Essa escolha se deu por critérios soberanos de Deus. O Senhor escolheu Israel para ser o povo que refletiria a glória de Deus, a glória de Seu caráter e por isso Ele construiu um povo que não era povo e uma nação que não era nação. Nosso Deus deu a este povo leis, regulamentações, recomendações, constituiu uma hierarquia de governo e conviveu no meio deles. Por meio de Israel, os povos da terra, que eram moralmente corruptos, idólatras, perversos de todo, reconheceriam nos costumes, nas leis, na prática e na convivência do povo do Senhor a justiça de Deus, a compaixão de Deus, a bondade de Deus, a santidade de Deus, o amor de Deus e as muitas características de quem Deus é. Dessa forma, Israel seria o testemunho vivo, o reflexo de Deus na terra, os povos ao olharem para Israel não veriam apenas um povo santo, mas veriam o próprio Deus, o Senhor dos Senhores. Israel seria a luz do mundo.

De lá para cá, com a vinda, sacrifício e ressurreição de nosso Salvador, Jesus Cristo, que sempre foi a luz do mundo, tornou-se efetivamente a luz do mundo, o reflexo perfeito do caráter de Deus, da glória de Deus. De lá para cá, as nações ainda permanecem moralmente corrompidas, perversas, idólatras e afastadas de Deus de todo, necessitadas de uma luz. Vivemos num sistema corrupto que nos impele a viver segundo os seus costumes, as suas recomendações, suas sugestões e segundo as suas insinuações malignas. Contudo, ao recusar seguir este fluxo de perversidade e aceitar seguir os bons mandamentos do Senhor, nosso Deus, ao nos convertemos de todo o coração ao Senhor Jesus, a Luz do Senhor passa a habitar em nossas vidas e toma-nos o caráter, formando a pessoa de Cristo em nosso ser, assim, nos fazemos testemunho de quem Deus é, somos também reflexo da glória e caráter de Deus e, enfim, pregamos o evangelho.

Ora, observemos a malandragem. A malandragem não é pregada em acuradas exposições em lugares públicos, ela não é ensinada em salas de aulas, ela não está exaustivamente escrita em livros, ninguém faz longas explanações sobre a arte da malandragem ou do “jeitinho brasileiro”. A malandragem é ensinada de forma mais eficaz na prática, na vivência, ela é aprendida no dia-a-dia. Um indivíduo ao perceber uma pessoa usando de malandragem para burlar um sistema social qualquer com a finalidade de colher algum fruto bom disso, não tem noção da teologia por de trás de tal prática, não sabe quem a criou ou de onde veio ou para onde vai, ele apenas viu, presenciou, vivenciou, aprendeu e, provavelmente, replicará esse entendimento para outros indivíduos. Assim também é o evangelho de Cristo Jesus, nosso Deus, ele é ensinado, passado, replicado, compartilhado de forma mais eficaz por meio da prática, na vivência, por meio das decisões e ações contrárias ao maligno deste tempo que dão testemunho do caráter de Deus no dia-a-dia. Essa observação por parte do não cristão pode levá-lo a um questionamento do porquê de uma conduta tão distinta do mundo e seus preceitos, este questionamento, certamente, o levará ao nosso Deus, o Todo-Poderoso.

A responsabilidade de pregar o evangelho paira sobre todos nós e ela independe de dons, pois ainda que se saiba cantar, pregar, evangelizar, ensinar, aconselhar e escrever sobre as verdades do Reino, sem, contudo, viver o que canta, o que prega, o que evangeliza, o que aconselha e o que se escreve pouca coisa se faz e em vão é todo o proceder. Precisamos, antes, refletir o caráter de Cristo em todas as nossas ações. Devemos todos aprender de Deus e prosseguir em aprender de Deus, devemos nos deleitar em Sua maravilhosa presença e depender continuamente de tudo o que Ele representa. Devemos amar o nosso poderoso Deus de todo nosso coração e de toda a nossa alma, devemos queimar de amor por Ele e por todos os seus preciosos caminhos em todo tempo.

Portanto, em verdade, pregar o evangelho é se relacionar com Deus, conviver com Deus, depender de Deus, porque quanto mais nos aproximamos de nosso Senhor, mais o Senhor Espírito Santo nos faz parecer como nosso amado mestre Jesus Cristo, nosso Deus, e quanto mais parecidos com Jesus, mais refletimos a glória do Pai e de tudo que nosso Deus é; mais somos luz neste mundo de densas trevas e perversidade. Somado a essa vivência, o Senhor fará emergir nossos dons e nos encaminhará naquilo que nascemos para fazer e ser. Dessa forma, os dons são irrelevantes num primeiro momento, pois eles só serão úteis e verdadeiros se a conversão genuína existir em nós; conversão que nos leva a conviver cada vez mais com Deus; convivência que nos leva cada vez mais a sermos como Cristo é; ser que reflete a glória e o caráter de Deus; reflexão que prega o evangelho de forma eficaz.

Que o Senhor Espírito Santo, assim como convenceu o apóstolo Paulo de seu chamado e de sua responsabilidade, também convença a cada um de nós sobre nosso chamado e responsabilidade para com o Reino de Deus. Que todos nós possamos confessar nosso chamado e ministério, pois é certo que todos nós temos uma boa obra para desempenhar em prol do Reino de nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Deus.

O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar as boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram e a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória. (Isaías 61: 1-3)

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Dorly Junior

Dorly Junior

Dorly Junior é servo de Deus. E descobriu no Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, a genuína liberdade da escravidão do próprio ego. Curte Rock'n'roll e filme de terror. Atende no Facebook. Me acha lá! =D

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