Pecados rotineiros

Os pecados rotineiros não são empecilho para se relacionar com Deus. É preciso buscar contínuo arrependimento no Senhor.

“Logo, pecamos sim, todos os dias, a todo instante, no entanto, também somos remidos, lavados, refeitos, perdoados e reconciliados com Deus todos os dias e a todo o instante pela frequente entrega de si mesmo ao Senhor e a busca sucessiva pelo Deus vivo, o nosso Deus, no nome do Senhor Jesus.”

Quando um pecador se arrepende em Cristo Jesus, aceita a salvação de Deus e se torna uma nova criatura, diz-se que as coisas velhas já passaram e que agora são novas. Diz-se também que aquele que pecava, agora não peca mais. Encarando desta maneira, cria-se a enganosa insinuação de que crente genuinamente convertido não peca ou não vive pecando. Parece certo, tem cara de certo, soa certo, mas é grosseiramente errado. Crente genuíno não só peca como também é exímio domador, domesticador, de pecado. O perigo não está em ser pecador ou em continuar pecando, mas em viver longe de nosso amado Deus.

A primeira carta de João no seu terceiro capítulo no versículo nove diz que todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado, afirma mais, assegura que esse não pode viver pecando. Se de forma incauta nós analisarmos esta carta de todo, poderíamos concluir que o cristão genuíno não peca e que, se ainda peca, não houve em sua vida uma conversão sincera. Bem, não é assim. Todo cristão genuíno peca. E não se trata de alguns quebra molas durante o percurso da vida, mas de seguidos e contínuos buracos, baques, quedas e deslizes. Peca-se toda semana, todo dia, toda hora, todo minuto, todo segundo. Peca-se conscientemente; peca-se inconscientemente; peca-se por fazer e por não fazer; peca-se por dizer e peca-se por não dizer, em todo tempo se peca e em todo lugar se peca; não há tempo em que não se peque e não há lugar em que não se peque.

Aos olhos de nosso Deus não há pecado pequeno ou grande, todos são pecado, todos são desobediência, todos são maus. O que há, de fato, são consequências de pecados, pequenas e grandes. Uma mentira “inofensiva” ou “boba” atrai sobre o indivíduo uma consequência, geralmente, menor que um assassinato ou traição, porém, todos os três constituem ofensa ao Senhor nosso Deus. Aquele que é nascido de Deus certamente não vive pecando; não rouba, não mata, não adultera, não sonega, não participa de negócios escusos e não compactua com a prática da maldade seja ela qual for. O engano estar em classificar pecados, o pensamento pode ser: “se não pratico os pecados terríveis, estou escusado; sou justo e meu caminho é sempre bom”. Ora, vê. Este raciocínio não é bom.

Classificar pecados é uma atitude de satanás, na sua astúcia, ele induz o cristão genuíno a crer que sua meia dúzia de pecados de estimação, aqueles que não se desvincula facilmente e continuamente estão nos esbofeteando a face (seja um vício, seja a vaidade excessiva, seja o ego, seja o julgamento temerário, seja a ira, o rancor, a preguiça, a indiferença, a falta de amor a Deus e ao próximo, a falta de intimidade com Deus, a falta de disposição para as coisas do Alto, o apego ao dinheiro e o amor ao mundo) são os únicos empecilhos rumo à perfeição. Entende-se que se os pecados rotineiros forem eliminados de nossa vida, alcançaremos um nível mais elevado de espiritualidade e seremos justos para conosco e para com Deus. Neste pensamento, satanás usa nossas quedas e fracassos para no esbofetear, julgando-nos, expondo nosso fracasso em nossa consciência e sugerindo que não podemos servir a Deus, porque quem serve a Deus não vive na prática do pecado, não peca, e se pecamos, estamos praticando o que é pecado, logo, não somos servos e nem filhos de Deus. Neste engano, nesta ardilosa armadilha, muitos, incautos, filhos de Deus, lavados e remidos pelo sangue precioso de Jesus, podem se afastar de Deus, desanimar da caminhada com Cristo, pelos constantes fracassos. E, perceba, não desanima pela falta de conhecimento teológico da graça, mas pela falta da prática dessa maravilhosa graça no nome e no poder de nosso Salvador, Redentor, o Amor maior, nosso Rei, Jesus Cristo.

E em que conclusão chegaremos? A mesma Palavra de Deus que diz que os remidos em Cristo não estão sob a prática do pecado também afirma que não há quem não peque. Há, porventura, conflito de afirmações? Verdadeiramente não há.

No tempo e na carne não há plenitude de santidade e tampouco perfeição. Ainda que estejamos selados pelo Espírito Santo de Deus e que o caráter de nosso Salvador Jesus esteja continuamente sendo esculpido em nossas vidas, pecaremos até a morte. A realidade que precisa ser entendida pelo cristão genuíno é que a vida na terra e no tempo é uma “constante variância” de dois estados: estar cheio de Deus e estar cheio de si. Assim, a busca é diária para ser cheio de Deus, por meio da Palavra, por meio da comunhão com os irmãos, estar onde o povo de Deus está; estar onde Deus está; praticar a Sua vontade e viver o Seu querer, senão, enchemo-nos de nós e isso, certamente, só traz angústia, sofrimento, frustração e dor. O arrependimento do mal e o quebrantamento não são atitudes realizadas uma vez ou outra, não são atitudes mensais, não são atitudes semanais, são atitudes diárias, constantes, são a todo o momento e isso não vem de nós, vem de Deus; quanto mais próximo da Luz, que é Jesus Cristo, mais evidente fica o nosso mal e mais latente fica a necessidade de contristar-se e arrepender-se confessando todo nosso contínuo mal. Logo, pecamos sim, todos os dias, a todo instante, no entanto, também somos remidos, lavados, refeitos, perdoados e reconciliados com Deus todos os dias e a todo o instante pela frequente entrega de si mesmo ao Senhor e a busca sucessiva pelo Deus vivo, o nosso Deus, no nome do Senhor Jesus.

Dessa forma, da mesma maneira que o diabo não encontrou nada em Jesus no tempo da crucificação, porque Ele é perfeito e Nele não há pecado algum, hoje satanás também não encontra nada em nós, porque já não vivemos, quem vive em nós é Cristo, estamos crucificados e ressuscitados com Ele, posto que aos olhos de nosso Deus e Pai não há sentença e nem pecado, há apenas justificação pela graça e amor incontido, somos jardim precioso do Senhor e no tempo devido, ainda em vida, daremos nossos frutos para honra e glória de nosso Redentor.

Mas o seguinte pensamento pode surgir na mente: “ora, se não posso parar de pecar, então, vou continuar nos meus deleites da carne até a morte”. Tornamos a primeira carta de João capítulo três ao final do versículo nove: “[…] ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus”. O nascido de Deus não pode viver na prática do pecado, porque lhe pesa alma, porque lhe pesa doloridamente o coração, o pecado é sua maior tragédia e seu maior desgosto. Ele tem prazer em Deus e na obediência à sua vontade, o caráter de Cristo impresso em nosso ser nos faz repudiar a prática do mal ainda que nossa carne tenha prazer nelas. A grande diferença entre o nascido de Deus e o não nascido de Deus, não está na prática do pecado, pois os dois pecam, mas, sim, na prática da busca, submissão e relacionamento com Deus que elimina nosso caráter e faz nascer o caráter de Cristo.

Deste modo, assuma-se. Se aceite como pecador, aceite a graça e o perfeito sacrifício de Jesus, nosso Deus. Se satanás acusar de pecado (e ele vai), não se admire e nem se condene; somos pecadores desde o princípio de nossa vida, sempre fomos e seremos até o fim da carne, não se deixe perder nestas acusações, foque no que é bom, ou seja, o compromisso, o louvor e a adoração ao Senhor, o constante relacionamento com Deus, o pecado já não é empecilho para se aproximar e conviver com o Senhor. É preciso ir a Deus continuamente arrependendo-se do mal, devemos crer e clamar para que o Senhor, em sua infinita misericórdia, nos livre da rotina do pecado buscando Nele o enchimento de nossas almas constantemente. Se for difícil se arrepender genuinamente, peçamos arrependimento ao Senhor e Ele nos convencerá de todo o mal, lavará toda a imundícia e nos fará novo de novo. Sejamos vaso de barro nas mãos de nosso Deus, sejamos quebrados e refeitos todos os dias de nossas vidas, pois o cristão genuíno não é medido pela quantidade de pecados e nem se peca ou deixa de pecar, mas sim, em se arrepender e se submeter à vontade de nosso querido e amado Senhor Jesus Cristo.

Portanto, tendo esta boa consciência, a consciência de que buscar a Deus, se relacionar frequentemente com Deus, não elimina a prática do pecado, mas cria a prática do arrependimento de pecados, do afastamento das coisas malignas deste mundo, da submissão, do entendimento e da ação da vontade de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, desbaratamos satanás, desfazemos suas acusações, aniquilamos suas intrépidas armadilhas e ele não tem nada em nós, logo, somos vencedores em Cristo Jesus, podemos sair vencendo e para vencer, despojando o inferno com pleno poder de Deus. Porque se buscamos a Deus sem impedimento, aceitando Jesus como plena justificação e não perdendo tempo buscando formas e justificações vãs e terrenas, somos cheios de Deus, e cheios de Deus, focamos na obra redentora de Cristo, não nos nossos pecados e sofrimentos decorrentes.  Assim, todas as trevas sucumbirão ante o resplendor da glória de Jesus Cristo, nosso Deus, que está em nós.

“Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã.” Isaías 1:18.

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Dorly Junior

Dorly Junior

Dorly Junior é servo de Deus. E descobriu no Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, a genuína liberdade da escravidão do próprio ego. Curte Rock'n'roll e filme de terror. Atende no Facebook. Me acha lá! =D

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1 Resultado

  1. ferdinando disse:

    Descobrir q Jesus é o dono da nossa vida, e viver na dependência do Senhor Espírito Santo É o segredo para nascermos de novo todos os dias.

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