Suicídio de um Cristão: possível ou não?

Há questões na vida humana que não podem ser arbitradas por nós, não podem ser julgadas por nós, elas giram exclusivamente em torno da soberania de nosso Deus. Estas questões são naturalmente ignoradas, pois fogem nosso entendimento e ficam a ser resolvidas no reino vindouro de nosso Senhor Jesus. O suicídio não é uma dessas questões.

Na última reunião da UMP, no dia 17/09/2013, encerramos o estudo da primeira carta de João e ao tocar no assunto sobre pecados para a morte e pecados não para morte (1 João 5:16) surgiu uma polêmica discussão a respeito do suicídio de um cristão.

Na ocasião, concluiu-se, com severas controvérsias, de que um cristão genuíno em plena consciência, são, com todas as suas faculdades mentais em ordem, é incapaz de tirar a própria vida. No entanto, se este mesmo cristão passar por tremendas dificuldades espirituais, emocionais e psicológicas, por exemplo, um caso rígido de depressão que culmine em seu completo desligamento da realidade, tornando-o, assim, incapaz de responder por suas ações, inconsciente, ele pode, sim, vir a tirar a própria vida, ser perdoado na eternidade por Deus e herdar o reino dos céus. Afirmação essa apoiada na carta de Paulo aos Romanos:

Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as cousas do presente, nem do por vir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Jesus Cristo, nosso Senhor  (Romanos 8:38-39).

Se nada pode nos separar do amor de Deus, logo, nem o suicídio pode.

Há questões na vida humana que não podem ser arbitradas por nós, não podem ser julgadas por nós, elas giram exclusivamente em torno da soberania de nosso Deus. Estas questões são naturalmente ignoradas, pois fogem nosso entendimento e ficam a ser resolvidas no reino vindouro de nosso Senhor Jesus. O suicídio não é uma dessas questões.

Recorrendo as Escrituras Sagradas, palavra de Deus, podemos encontrar alguns casos de pessoas que passaram por muitas angústias, e angústias de morte, ao ponto de clamarem a Deus para si a própria morte.

Foi o caso de Elias:

Ele mesmo, porém, se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: basta; toma agora, ó Senhor, a minha alma, pois não sou melhor que meus pais (1 Reis 19:4).

De Moisés:

Eu sozinho não posso levar todo esse povo, pois me é pesado demais. Se assim me tratas, mata-me de uma vez, eu te peço, se tenho achado favor ao teus olhos; e não me deixes ver a minha miséria (Números 11:14-15).

De Jonas:

E orou ao Senhor e disse: Ah! Senhor! Não foi isso o que eu disse, estando eu ainda na minha terra? Por isso, me adiantei, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus clemente, e misericordioso, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e que te arrependes do mal. Peço-te, pois, ó Senhor, tira-me a vida, porque melhor me é morrer do que viver (Jonas 4:2-3).

E alguns outros filhos de Deus, servos do Altíssimo, também clamaram para si a morte, o que todos eles tinham em comum é algo que vamos chamar simplesmente de princípio do temor ao Senhor.

Afirmar que um cristão genuíno é incapaz de tirar a própria vida, que jamais, sob circunstância alguma, nem na mais profunda depressão e nem na mais atribulada das lutas espirituais, emocionais e psicológicas, ousará se matar, não anula, de forma alguma, a soberania de Deus, mas sim reafirma, com poder, o caráter do Senhor, nosso Deus, revelado na Bíblia, palavra de Deus. Desde a queda do homem nosso Deus tem tratado com seus filhos, tem nos ensinado a perseverar em Seu nome diante de todas as adversidades, tem nos ensinado que Ele é maior que todas e cada uma delas; além, tem nos ensinado que para cada filho ele possui um sonho, um propósito, um ministério e que Ele mesmo cumprirá todo o propósito de Seu coração em tempo oportuno em nossas vidas. E depois de todas estas coisas, em tempo determinado por Ele, nos recolherá desta terra.

De forma que se somos templo do Senhor Espírito Santo, se não somos de nós mesmos, se não somos nós quem vivemos, mas Cristo vive em nós, como, pois, o Senhor consentiria em nos deixar chegar a um ponto de tribulação que leve-nos a tirar a própria vida? E ainda que cheguemos a tal ponto, de sufocante agonia e angústia, podemos até fazer como alguns servos do Senhor, clamar a Deus que encerre nossa vida, que nos leve deste tempo, porém, jamais, tomaremos o lugar de Deus e encerraremos a própria vida. É o princípio do temor ao Senhor visto nos relatos do início deste texto. Quem é que pode sondar o coração de Deus e saber os seus planos para a nossa vida? Quem somos nós para dizer que é o fim? Este princípio está documentado, com clareza, na Palavra de Deus, o Senhor é o Senhor Soberano de nossas vidas, todo servo de Deus sabe, entende, confia, espera e alcança graça da parte de nosso Pai de amor. Aquele que não é servo, filho, não sabe, não entende, não confia, não espera e tampouco alcança. Portanto, o princípio do temor ao Senhor nada mais é que afirmar diariamente a soberania de Deus sobre nossa vida, seu rumo, seus caminhos e seu fim.

E então? Anulamos a soberania de Deus? Um cristão jamais suicidará? Deus nunca permitirá? Deus pode permitir, pois é soberano para levar um cristão genuíno ao suicídio, perdoa-lo e recebê-lo na eternidade, quem julgará as ações de nosso Deus? Porém, há muito mais ensinamento, muita mais provas, muito mais testemunhos na soberana Palavra de Deus, que nos dão margem para afirmar, com vasta folga, que Deus jamais consentirá, permitirá que um cristão genuíno, filho de Deus, tire a própria vida, muito pelo contrário, o fortalecerá e renovará as suas forças, o sarará, fará a ferida e a ligará, o revigorará, pois Ele é a força fiel de nossas almas. Novamente, não se nega a soberania Deus, antes, reafirma-a com sólida base no caráter do Senhor que não nos deixará perecer. Podemos ir um pouco mais profundo, o caráter de Deus está impresso em nossas almas por Jesus Cristo de maneira que se o caráter de Deus revelado na Bíblia claramente é contrário ao suicídio, somos blindados contra esta prática simplesmente por Deus ser o que é.

Dura é esta verdade, mas aquele que tira a própria vida, ainda que dentro da igreja, ainda que conhecedor da Palavra, ainda que ministro de Deus, nunca, jamais, conheceu a Deus e o temor de Deus nunca esteve sobre ele. E o que dizer, pois, do inconsciente? De circunstâncias que levam o indivíduo a um estado de inconsciência, de incapacidade de responder pelas próprias ações e que podem levá-lo a um eventual suicídio? Uma forte depressão, por exemplo? Ora, Deus nos guarda de tantas coisas visíveis e invisíveis, acaso, não nos guardaria de nós mesmos? O que é o inconsciente para que Deus, o Senhor, não o repreenda? E se não repreender? Certamente pereceremos, quem é que pode viver sem o livramento do Senhor seja ele qual for? E como sabemos que nos livrará? Deus é fiel. E isto basta para crermos que em tudo Deus nos livrará, inclusive do suicídio inconsciente.

Concluiremos que quem comete suicídio vai para o inferno? O suicídio em si não leva ninguém ao inferno, porém, se assumimos que o que leva ao inferno é a falta de relacionamento com Deus e genuína entrega a Cristo, e quem comete suicídio nunca conheceu a Deus, nunca temeu seu Poderoso Nome e Nele não esperou, logicamente, concluiremos que sim, suicídio leva ao inferno, não pelo ato, mas pelo fato de o indivíduo, sem Cristo, já estar no inferno. Mas como saber com certeza? Vai que no último suspiro, antes da morte por suicídio, ele se renda ao Senhor Jesus Cristo? Louvado e engrandecido seja o Senhor se assim for!

No entanto, perigoso é este pensamento. O perigo está em crer que todos, que nos convém, no último suspiro, converterão a Deus, assim, comodamente deixamos o julgamento, oração e a exortação de lado confiados num ato divino de última hora. Alguém dirá: Não podemos julgar para não sermos julgados. Segundo a carne não podemos julgar, contudo, segundo Deus, seus mandamentos e Palavra, não só podemos como devemos. E o julgamento já está feito. Quem não se rendeu ao Senhor durante a vida, nunca viveu e para a morte eterna caminha. Não há a necessidade de aguardar o último suspiro, sabemos, hoje, quem está salvo e quem está no inferno graças ao julgamento que o próprio Senhor já fez revelado em sua Palavra. Portanto, julguemos, segundo o Senhor, exortemos, disciplinemos e oremos pelos que para lá caminham, isto façamos confiados na misericórdia de Deus.

De forma resumida, aquele que não tem a Cristo, não tem esperança e nem o caráter de Deus, portanto está sujeito ao ato de suicidar e, cometendo-o, muito provavelmente encurtará seu caminho para o inferno, salvo uma intervenção divina de última hora. E por que um cristão jamais se suicidará? O cristão genuíno teme a Deus, entende que a vida que tem não é dele, mas de Deus; se rende ao Senhor por inteiro de maneira que quem vive é Jesus, não mais a carne; vive pelos propósitos de Deus, pelos sonhos de Deus persevera, confia em Deus, ainda que em meio intensas tormentas, persevera até ver o bem do Senhor na terra e em sua vida. Persevera até o fim pelo poder de Cristo e na esperança do livramento de Deus. E o livramento de Deus vem.

“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas cousas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.

2 Coríntios 4:17-18

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Dorly Junior

Dorly Junior

Dorly Junior é servo de Deus. E descobriu no Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, a genuína liberdade da escravidão do próprio ego. Curte Rock'n'roll e filme de terror. Atende no Facebook. Me acha lá! =D

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